CONSÓRCIO DE CULTURAS É MAIS LUCRATIVO


Kamila Pitombeira

       Além de garantir lucratividade extra, a adoção de culturas consorciadas por produtores rurais pode ser extremamente benéfica quando o assunto é praga ou doença, por exemplo. No caso do consórcio entre laranja e girassol, a oleaginosa atrai muitos insetos que atuam contra as pragas da laranja. Os benefícios são muitos e esse tem sido o foco da Embrapa Tabuleiros Costeiros com pequenos produtores de Sergipe. As opções de culturas consorciadas à laranja foi tema do dia de campo realizado no dia 13 de setembro, pela Embrapa Tabuleiros Costeiros em parceria com a Cooperativa dos Pequenos Produtores de Indiaroba (Cooperafir), no estado de Sergipe.
       Segundo Ivênio de Oliveira, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, no caso do sul de Indiaroba, a laranja pode ser consorciada com o abacaxi, a mandioca e o maracujá, mas existem outras culturas de tradição na região, como a mandioca. No entanto, o foco da Embrapa tem sido levar aos pequenos agricultores a opção do consórcio com o girassol, em função de contrato com uma empresa de produção de biodiesel da região.
        — Nosso papel é levar algumas novidades, como o consórcio com girassol, e ajudar dando informações para que eles melhorem as técnicas de cultivo de forma a produzir mais e ter maior retorno financeiro — afirma o pesquisador.
Na região, a laranja requer um espaçamento entre 4m e 6m entre linhas, de acordo com ele. Por isso, sobra um espaço grande, principalmente no início de formação do laranjal. Então, nada melhor que utilizar uma cultura de ciclo rápido que venha a gerar uma produção em um período no qual a laranja ainda não está produzindo.
        — Com o passar do tempo, o produtor pode continuar com esse tipo de cultivo, desde que saiba manejá-lo, para obter sempre renda extra, já que ele tem a renda da laranja e uma renda alternativa com outra cultura no mesmo local — conta Oliveira.
Para que a técnica seja um sucesso, alguns cuidados de manejo são muito importantes. O alinhamento na época de plantio é um deles e deve acompanhar o alinhamento do Sol, de forma que não haja sombreamento. Outra questão é a adubação. O pesquisador explica que é preciso fazer a adubação na linha de forma bem controlada. Além disso, deve-se realizar a calagem e a colheita no momento certo. Já o cuidado com pragas e doenças deve ser dobrado.
        — A partir do momento que o produtor opta por produzir culturas consorciadas, é preciso realizar medidas de controle contra pragas e doenças para ambas. O controle da laranja já é conhecido na região. Para ele, existem produtos convencionais e alternativos — diz.
         Por outro lado, o consórcio com outras culturas pode ainda trazer benefícios aos produtores rurais com relação às mesmas pragas e doenças. A cultura do girassol, por exemplo, atrai muitos insetos benéficos que atuam contra as pragas da laranja. Portanto, uma cultura pode ajudar a outra.
         — Os pequenos agricultores devem aprender a explorar o potencial máximo de cada área. O fato de ser uma área pequena não significa que ela não será lucrativa — conclui Oliveira.


FONTE: Portal Dia de Campo