PRODUZINDO DE FORMA SUSTENTÁVEL


Rosa Liberman

A agricultura representa 25% do PIB nacional e, por outro lado, representa a maior parte do saldo das balanças de exportação. A produção brasileira além de alimentar 190 milhões de pessoas, exporta para no mínimo mais 50 milhões no exterior. Significa uma receita bruta perto de US$ 100 bilhões. Essa é a perspectiva do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para esse ano, conforme o chefe de assessoria e gestão estratégica do Mapa, Derli Dossa. A meta para 2030 é ser o maior exportador do mundo. Ele foi um dos palestrantes do Seminário Nacional para o Desenvolvimento do Agronegócio Sustentável, realizado na terça-feira, Centro de Eventos da UPF.
Para Dossa, a vantagem do Brasil é de ter uma agricultura tecnicamente bem preparada, e ainda, produtores competitivos que compreendem o sistema de produção mais propício para cada momento. Mesmo assim, destaca que é preciso avançar bastante.
De acordo com o chefe de assessoria e gestão estratégica do Mapa, deixando de lado a infraestrutura e logística, que é um dos piores gargalos que o país enfrenta e espera-se que no período de cinco anos que ele seja minimizado, se não for solucionado, no que tange a estradas, portos e aeroportos. “Por outro lado, temos o melhor momento do ponto de vista de preços internacionais que alavanca a agricultura brasileira. Temos outro fator que é a questão que envolve disponibilidade de terra. Possuímos condições de continuar crescendo. Nossa expectativa é mais de 600 mil hectares de expansão da área cultivada no país. E ainda, os estoques internacionais para grãos, como a soja, milho e o arroz, também apresentam excelentes perspectivas, sendo a soja sendo carro chefe, junto com algodão e, nas carnes a de frango e pecuária de corte que são importantes”, comenta.
Dossa destaca ainda que o crescimento da agricultura brasileira faz necessária a observação dos agricultores acerca do sistema de produção. “Quando se fala em agricultura de baixa emissão de carbono ou economia verde, é produção produtiva e sustentável ambientalmente. Temos aproximadamente 7 milhões de hectares cultivados no verão e, no inverno, passamos a 4,3 milhões de ha com cobertura verde, mas sem produção efetiva. É preciso intensificar as atividades na propriedade rural, diversificá-las para reduzir os riscos seja de clima ou de mercado e fazer rotação de cultura, porque o plantio direto é uma tecnologia que exige muita rotação. Uma propriedade do ponto de vista de rentabilidade produção e ambientalmente correta tem interação da lavoura, pecuária e floresta”, diz.
No seminário também foi abordado como transformar em sucesso as mudanças nos sistemas de produção das culturas e diminuir o risco de perdas nas safras, discutindo formas de se buscar alternativas de produção agrícolas da atualidade. E a análise do mercado de grãos e carnes – tendências e perspectivas.
Cerca de 350 pessoas participaram do seminário, que teve a promoção de Sicredi, Cotrijal, Universidade de Passo Fundo (UPF), Emater, BSBIOS, Sindicato Rural de Passo Fundo, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Passo Fundo (STR-PF), Embrapa Trigo e Associação dos Engenheiros Agrônomos de Passo Fundo (AEAPF).

FONTE: Diário da Manhã - Passo Fundo