VOCÊ SABE QUAL FOI A MAIOR CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NO BRASIL?

Houve um tempo em que o Brasil era um grande importador de alimentos. O país importava quase 100% de trigo, 50% de leite e um terço da carne. Nesse passado não tão distante havia uma aberração social conhecida pelo nome de "fila do leite" em que os brasileiros formavam filas para adquirir leite de qualidade duvidosa. Há alguns anos, o cardápio dominical das famílias brasileiras era constituído de frango como prato principal ou a "mistura". Frango durante os dias da semana era algo acessível somente àquelas de maior poder aquisitivo.
Esse quadro era motivo de inquietação do então estudante de agronomia e, posteriormente professor, Alysson Paulinelli. Ele não concordava com isso e propôs também a outro estudante de agronomia, de nome Alfredo Scheid Lopes, que fosse aos Estados Unidos estudar a ciência dos solos e desenvolvesse tecnologias que se aplicasse às condições tropicais.
Alfredão, como é mais conhecido, foi cursar mestrado na North Carolina State University desenvolvendo suas pesquisas sobre caracterização dos solos dos cerrados brasileiros dando origem a tese de mestrado (assim chamada naquele tempo) "A Survey of the Fertility Status of Surface Soils Under Cerrado Vegetation in Brazil". Foi assim, a gênese de tudo que o agronegócio brasileiro representa hoje. Esse foi o pontapé inicial para que se desenvolvesse a agricultura no Brasil central.
Elucidado, então, a necessidade da correção da fertilidade dos solos sob cerrado, agricultores paranaenses e gaúchos, principalmente, (que hoje muitos "miolos moles" insistem em chamar de invasores) foram instigados naquele tempo pelo governo a ocupar o cerrado brasileiro com objetivo de produzir alimentos para essa grande nação.  O final feliz da história todos nós conhecemos. 
E onde está a contribuição social nisso tudo? O americano Norman Bourlaug, ganhador do prêmio Nobel da Paz, se referiu ao que ocorreu na região do cerrado como a maior revolução verde da história da humanidade. O Brasil de importador de alimentos passou a grande exportador mundial. Nos últimos 30 anos, com a evolução das técnicas de produção e o aumento da produtividade da agricultura brasileira, os produtos da cesta básica reduziram a um terço do que se pagava (ver gráfico acima).
Gastando menos com alimentação, sobrou mais dinheiro para o brasileiro adquirir outros bens. Sem dúvida foi a maior transferência de renda que houve no país, muito mais que qualquer projeto assistencialista. A conquista agrícola do cerrado foi o grande projeto de nação conhecido até hoje no país.
Mas isso o seu e o meu professor de geografia ou história não nos ensinou. O leitor pode estar se questionando: para que isso tudo acontecesse precisou desmatar muitas áreas verdes? Não necessariamente. Se a produtividade da agricultura brasileira fosse a mesma de 40 anos atrás precisaríamos de uma área em torno de 110 milhões de hectares. Ao contrário, o ganho em produtividade nas últimas décadas com a adoção de novas tecnologias de produção economizou mais de 68 milhões de hectares.
O progresso do nosso país foi construído ao longo das décadas pelas mãos dos grandes brasileiros, empreendedores do passado e do presente, cada qual na sua área. Os produtores rurais, os empresários, os engenheiros, os professores e tantos outros. E não por políticos e seus partidos.  
Portanto, o Brasil que é conhecido como o coração e o celeiro do mundo. Que é a pátria do evangelho, tem a grande tarefa de assegurar a paz mundial através do fornecimento de alimento para a humanidade. 

Leitura adicional: 


LOPES, A. S.; COX, F. R. A survey of the fertility status of surface soils under cerrado vegetation of Brazil. Soil Science Society of America Journal, 41:752-757, 1977

LOPES, A.S.; GUILHERME, L.R.G. FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA. Diponível em: < http://people.ufpr.br/~nutricaodeplantas/fertisolo.pdf >. 2014