NOTÍCIAS AGRÍCOLAS - CONFIRA AS NOVIDADES DO MERCADO


O Brasil Agrícola estará atualizando essa postagem ao longo do dia, com reportagens exclusivas exibidas pelo Notícias Agrícolas. Acesse, confira essa novidade e mantenha-se informado sobre o Mercado!

Agronegócio versus Agroecologia

       A agroecologia pode alimentar o mundo? O agronegócio pode alimentar o mundo? Essa é uma questão central quando entramos em um debate que confronta dois modelos de produção amplamente distintos como o agronegócio e a agroecologia. Confesso que fiquei meio chateado ao colocar o “versus” no título desse artigo, pois, estamos causando um confronto de ideologias dentro da nossa agricultura e uma desunião em torno do mesmo objetivo que é a produção de alimentos. Será que algum dia poderei redigir um artigo dessa natureza com o nome de Agronegócio Ecológico? A única coisa que posso garantir é que não existe modelo ideal de produção!
       Todos os modelos de produção agrícola tem as suas vantagens e desvantagens. O Agronegócio, como o próprio nome se refere tem por finalidade desenvolver atividades agropecuárias com um perfil de empreendimento rural, onde são cultivadas extensas áreas de uma mesma cultura agrícola, pastagens ou espécies florestais. Nesse modelo de agricultura são adotadas as tecnologias advindas da “revolução verde” que está pautada na utilização dos fertilizantes químicos, defensivos agrícolas para o controle de pragas, doenças e plantas infestantes nos campos de cultivo, uso de sementes geneticamente melhoradas, uso de sementes transgênicas e as tecnologias de mecanização dos processos produtivos como correção do solo, adubação, plantio, pulverizações e colheita.
       Do outro lado, a agroecologia prega uma agricultura que pode ser realizada em harmonia com a natureza e visando a segurança alimentar. Nesse modelo de produção agrícola utiliza-se o mínimo de insumos externos à propriedade rural, utilizando controles alternativos de pragas e doenças, métodos integrados de controle de plantas daninhas e a fabricação de fertilizantes orgânicos e/ou organominerais para a adubação de culturas agrícolas. Um dos principais conceitos da agroecologia é a busca pela diversidade de produção em uma mesma área por meio de sistemas de plantio agroflorestais, plantios integrados, rotação e interação de culturas. Além disso, há uma busca pela produção da própria semente por meio da manutenção de sementes crioulas e/ou sementes de variedades produtivas adaptadas a realidade de cada região.
       Entendo que existe espaço para os diversos modelos de agricultura e que não existe um ideal para alimentar o mundo, o que deve existir é a busca permanente pela sustentabilidade da produção agrícola e o que não deve existir são os extremismos. A agroecologia é um ótimo modelo para trabalhar a agricultura em sítios, chácaras, pequenas e médias propriedades, onde é possível trabalhar com a mão de obra familiar e há pouca oportunidade de mecanização. A palavra “trabalho” é fundamental para quem deseja trilhar os caminhos da agroecologia. Esse modelo de agricultura exige muita mão de obra, criatividade e conhecimento da natureza para utilizá-la em seu benefício.
       A agroecologia nunca substituirá as extensas lavouras de soja e milho do cerrado brasileiro, do mesmo modo que os empresários rurais ainda não estão interessados em áreas onde há restrições para o desenvolvimento da agricultura de larga escala. O empresário rural certamente não trocará seu bom e velho trator com GPS e ar-condicionado para puxar um arado com tração animal, não deixará de utilizar a semente de última geração para produzir a própria semente crioula. Sempre existirá muitos argumentos de ambos os lados para tentar convencer que um ou outro modelo é a “salvação da lavoura”. Os modelos agrícolas devem ser complementares, é preciso nos unir em prol de um desenvolvimento agrícola sustentável de verdade e não apenas ideológico.

EMPRESAS FAMILIARES DO AGRO: COMO PREPARAR A SUCESSÃO?

Arthur Szezepanski Montardo¹
Marcia da Silva Melo²
Rodrigo de Meirelles L. Pagani³

        O que está acontecendo com nossas empresas familiares? Cerca de 85% dos negócios no Brasil são administrados por famílias, e apenas cinco entre cem chegam à quarta geração. Esses números nada favoráveis estão ligados a diversos fatores, como desestruturação do planejamento sucessório, desinteresse de alguns sócios e de gerações futuras, desigualdade no tratamento entre gestores ou familiares e conflitos.
        As empresas familiares predominam nos setores do agronegócio, de serviços e comércio. Por isso, é necessário avaliar os problemas recorrentes na gestão que podem trazer sérios riscos à sobrevivência do empreendimento. Na maioria das vezes, os conflitos sucessórios são inesperados, pois ocorrem com a morte de alguém. E seria o velório, ou logo após ele, um bom momento para discutir a sucessão?
        Caso uma empresa familiar não tenha consolidado um planejamento sucessório e seu gestor venha a falecer, o que impede o início de um conflito por parte dos herdeiros? Ou ainda, dos herdeiros com algum filho ou filha fora do casamento? Ou, até mesmo, entre demais administradores? De fato, a troca de comando gera insegurança quanto ao futuro, pois a relação familiar é baseada no afeto, nas emoções, nos momentos e também nas frustrações vividas ao longo do tempo. Por isso, uma estruturação societária que observe todas as possibilidades é de extrema relevância.
        Também é importante deixar claro que, além do planejamento estrutural da empresa, os conflitos familiares precisam ser trabalhados, impedindo sua influência nas relações corporativas. A abordagem dos problemas deve ser feita por meio do diálogo aberto entre os membros da família – ou, em alguns casos específicos, individualmente, para análise dos interesses de todos, suas ambições e suas habilidades. Por exemplo: quem tem vocação para trabalhar no negócio? Quem tem mais aptidão com números? Aqueles com curso superior voltado para o ramo ganharão mais? Quem trabalha na companhia ganhará mais do que os irmãos que não fazem parte dela? Combinações claras e pactuadas são a melhor forma de impedir e acabar com os desentendimentos.
        Diante desse cenário, um conjunto de ferramentas para auxiliar na prevenção e na resolução dos conflitos familiares pode ser adotado, como o tratamento da relação intrafamiliar, planejamento da sucessão, estudo prévio das tendências da empresa e criação de um conselho familiar.
        Essas medidas são preventivas e resolutivas, podendo ser utilizadas tanto no momento de abertura da companhia como em conflitos posteriores. Ao lado dessas ações, a profissionalização da empresa é fundamental para dar continuidade ao negócio. Isso significa gerenciar a organização acompanhando suas necessidades de crescimento dentro da família e do mercado. Conectando o antigo ao novo, para que se complementem e se unam, os controles e planejamentos passam a ser aliados na tomada de decisões.
        Aplicando esses mecanismos, a companhia aumenta suas chances de prosperar, além de incentivar as próximas gerações a continuarem o negócio. Uma das maiores virtudes da empresa familiar é que o administrador tem a oportunidade de ser exemplo para quem o sucede, tanto na ótica familiar como na corporativa. Modernizando sua visão e implantando essas ferramentas, o gestor levará seu empreendimento ao sucesso. E mais importante: manterá o sucesso durante o futuro, pois terá incentivado e formado as próximas gerações.

¹ Graduando em Direito; ² Bacharel em Ciências Contábeis e ³ Bacharel em Direito. Consultores da empresa Safras e Cifras.