O BRASIL DESCOBRE A SOJA



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PRODUTORES DE PATROCÍNIO-MG COMEMORAM RECONHECIMENTO DO CAFÉ COM SELO DE ORIGEM

       Aumento na lucratividade, reconhecimento pela qualidade do grão e fortalecimento do mercado interno são algumas das expectativas dos produtores de café certificado do município de Patrocínio, no Triângulo Mineiro. Eles conquistaram em janeiro o selo de denominação de origem do café do Cerrado, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), e agora, têm a chance de agregar mais valor ao produto.
 45 hectares em Patrocínio. Todo o grão colhido com o uso da colheitadeira é destinado para a venda do produto certificado. Entre os resultados gerados pela certificação está o valor de mercado, que pode ser maior em relação ao preço do café não certificado. Isso aumenta a lucratividade para os produtores e ainda estimula os investimentos em tecnologia.
      O produtor Carlos Behrend é um dos que se beneficiam dessa certificação. Ele planta café arábica em cerca de
      – É muito importante mostrar que temos esse selo, que mostra não só a qualidade do café, mas que trabalhamos socialmente dentro das normas mundiais. Dá mais credibilidade para o consumidor final, que vai tomar o café lá na Alemanha. É um café rastreado – explica Behrend. O selo com a denominação de origem é utilizado nas embalagens de café verde e industrializado e permite rastrear o lote do café desde a história do cafeicultor, bem como os laudos atestando a qualidade da bebida e até o método de produção.
     Para saber se o café realmente possui o selo de origem é só usar um aplicativo disponível no aparelho de celular para fazer a leitura do código que está na embalagem do produto. O consumidor descobre quem é o cafeicultor e até consegue localizar a propriedade dele.
       De acordo com o superintendente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Juliano Tarabal, as estimativas em relação ao café com selo de origem são positivas. Neste ano vão ser produzidas, com o uso do selo, cerca de 150 mil sacas de café de 60 quilos.
     – Isso tem um grande valor no mercado. Esse é o nosso objetivo, fazer com que o produto daqui seja reconhecido e que o consumidor tenha acesso, para que o produtor tenha melhor colocação no mercado – diz Tarabal.
      Para ser negociado com o selo de denominação de origem, o produtor precisa seguir alguns passos, como explica a coordenadora do selo de origem e qualidade da entidade, Adriana Timofiecsyk. Uma das exigências é que o café seja proveniente de propriedades ligadas às entidades filiadas à Federação dos Cafeicultores do Cerrado.
       – Os produtores precisam cumprir as leis ambientais e trabalhistas, a bebida deve apresentar pelo menos 80 pontos nas regras estabelecidas pela Associação Americana de Café, que é reconhecida mundialmente, as lavouras devem estar situadas em áreas de 800 metros, entre outros pontos – explica Adriana, que é engenheira agrônoma.


FONTE: Canal Rural

PRODUÇÃO DE ALIMENTOS NO MUNDO PRECISA CRESCER 70% NAS PRÓXIMAS QUATRO DÉCADAS

       As estratégias da pesquisa para garantir a produção de alimentos nos próximos anos é uma das principais discussões de um encontro de pesquisadores organizado pela Embrapa Soja em Londrina, no Paraná. A XXXIV Reunião de Pesquisa de Soja, que começou nesta quinta, dia 14, e vai até sexta, reúne 450 profissionais e pesquisadores ligados ao agronegócio.
      Para atender toda a demanda por alimentos no mundo nos próximos 40 anos, a produção no campo vai ter que crescer pelo menos 70%. Na safra passada, o Brasil produziu 85 milhões de toneladas de soja e são pelo menos 27 milhões de hectares plantados com esta cultura. Na década de 70, a produtividade nas lavouras brasileiras era de 1.500 quilos por hectare, Hoje é o dobro, e muito desse resultado se deve à tecnologia e à pesquisa.
       O presidente da Embrapa, Maurício Lopes, que abriu o encontro de pesquisadores nesta quinta, diz que a instituição defende o que ele chama de inteligência estratégica para ao setor agropecuário. Tecnologia e inovação são cada vez mais fundamentais para a produção de alimentos, mas o foco das instituições públicas, como a Embrapa, não está mais na descoberta ou lançamento de novas variedades para campo como era nos anos 70 e 80. Agora, o importante é que tudo chegue mais rápido e de forma eficiente ao produtor rural.
       O presidente da Embrapa falou também da importância de iniciativas como o projeto Soja Brasil, que é desenvolvido pelo Canal Rural com a coordenação técnica da Embrapa. O Soja Brasil está na terceira edição e mostra o desenvolvimento das lavouras em todo o país, com orientação aos produtores rurais. Na edição deste ano o projeto vai levar informações sobre capacitação dos produtores rurais, através da carreta do Canal Rural que vai viajar pelos polos produtores para levar conhecimento e troca de experiências no campo.


FONTE: Sebastião Garcia – Canal Rural

AGRONEGÓCIO RESPONDE POR SETE DOS DEZ PRODUTOS MAIS EXPORTADOS PELO BRASIL

Dos dez principais produtos de exportação do Brasil, no período de janeiro a julho de 2014, sete são do agronegócio, segundo análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a partir de dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).
          A retomada das exportações de café é destaque, as vendas cresceram 77,2% em valor (US$ 522 milhões) e 44% em quantidade (2,8 milhões de toneladas) em julho, na comparação com o desempenho do ano anterior. De janeiro a julho de 2014, o resultado das vendas externas de café em grão foi de US$ 3,1 bilhões, aumento de 16,1% em relação a igual período do ano passado. A desvalorização dos preços internacionais do grão, desde 2013 até janeiro deste ano, comprometeu fortemente as receitas com as exportações de café, cenário que começou a mudar nos últimos meses.
     A carne bovina também se sobressai, as vendas do produto aumentaram 23,2% em valor (US$ 571,7 milhões) em julho, e 16,7%, no período de janeiro a julho de 2014 (US$ 3,3 bilhões), na comparação com 2013. Segundo a CNA, o forte aumento das exportações brasileiras de carne bovina foi impulsionado, principalmente, pelo aumento das vendas para Hong Kong, Venezuela, Egito e Irã. A decisão da China de retirar o embargo poderá impulsionar ainda mais as vendas do produto no segundo semestre do ano. O segmento de couros e peles bovinas também vem crescendo significativamente. As receitas com as exportações desses produtos aumentaram 24,6% no acumulado do ano até julho, totalizando US$ 1,7 bilhão, com expectativa de novo recorde em 2014.
      A soja em grão continua liderando o comércio externo do país. A receita cambial foi de US$ 19,3 bilhões até julho, resultado que representou 14,4% dos US$ 133,6 bilhões do total das exportações do Brasil. Destaque, ainda, no período, para o bom desempenho no valor das vendas de madeira serrada (+17,4%), de farelo de soja (+15%) e de carne suína (+12,9%).
      Já os embarques de milho e fumo em folhas continuam com queda expressiva de 53,2% e 34,5% em valor, respectivamente. No caso do milho, a redução do valor das vendas externas está relacionada ao aumento da oferta, resultado da colheita da segunda safra brasileira e da recuperação da produção nos Estados Unidos. A perspectiva é de recuperação dos estoques mundiais e consequente redução dos preços.
      Há, também, sinais de recuperação para o açúcar em bruto. O valor das exportações caiu 18,9% no acumulado dos sete primeiros meses do ano, mas, em julho, as vendas cresceram 5,4%. O ritmo dos embarques nos próximos meses dependerá, especialmente, das condições climáticas na Índia e na Tailândia e do tamanho da produção brasileira na safra 2014/2015, que deve ser menor.


FONTE: Confederação Nacional da Agricultura

CARTILHA COOPERATIVISMO E ELEIÇÕES 2014 - CLIQUE PARA BAIXAR

http://www.brasilcooperativo.coop.br/GERENCIADOR/ba/arquivos/cartilha_cooperativismo_eleicoes_web.pdf

NO CERRADO, SURGE UM NOVO PAÍS


FORMAS DE UTILIZAÇÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR PARA BOVINOS LEITEIROS

      A cana-de-açúcar é a principal forrageira encontrada na maioria das pequenas e médias propriedades rurais do Brasil central pecuário. A escolha dessa forrageira por parte dos produtores deve se ao fato, entre outros, ao seu fácil cultivo, boa aceitação pelos animais e melhor valor energético coincidindo com a época de escassez do pasto.
       No final dos anos 80, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Gado de Leite) iniciou um programa de transferência de tecnologia baseado na alimentação de vacas leiteiras com cana-de-açúcar mais ureia e uma fonte de enxofre (sulfato de amônio). A partir disso, consolidou  o uso de 1% de ureia com base na matéria natural da cana-de-açúcar, ou seja, para cada 100 kg de cana desintegrada (picada) acrescentaria-se um 1 kg da mistura ureia:sulfato de amônio (9:1).

     Essa tecnologia resolveu o problema que muitos produtores encontravam em alimentar o rebanho no período de seca. Contudo, o fornecimento da cana-de-açúcar diária esbarra na dificuldade em cortar, desintegrar e fornecer aos animais, além do custo com mão-de-obra. Pensando nisso, pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa conduziram um trabalho com objetivo de avaliar o fornecimento da cana-de-açúcar desintegrada versus a cana-de-açúcar inteira (com colmo e folhas). Os resultados da produção de leite foram favoráveis à cana desintegrada. Porém, segundo os autores, dado a pequena diferença na produção de leite em comparação aos dois métodos, o fornecimento da cana-de-açúcar inteira pode ser uma prática na fazendas  por facilitar o manejo.
        Seguindo essa linha de avaliar, alternativamente, os métodos tradicionais de fornecimento da cana-de-açúcar para bovinos leiteiros, dois estudos foram conduzidos por pesquisadores da Universidade Federal de Lavras, um no Instituto de Federal do Norte de Minas Gerais no campus Janaúba com novilhas girolando e outro na própria universidade com vacas holandesas em final de lactação. Os pesquisadores compararam o fornecimento entre a cana desintegrada (sem remoção das folhas) e a cana desintegrada (com remoção das folhas). Os resultados demostraram que a remoção das folhas da cana antes de desintegrá-la aumentou a ganho de peso das novilhas. Por outro lado, essa prática não surtiu efeito na produção de leite das vacas que recebiam uma dieta contendo 18% de cana, apesar da tendencia no aumento da digestibilidade. Os autores ainda sugerem que a remoção das folha da cana antes de moê-las poderia causar efeito em dietas de vacas de menor potencial leiteiro, a julgar pelo aumento no ganho de peso das novilhas alimentada com 78% de cana.   

Maiores informações

Pérez De La Ossa, J.E.; Lana, R.P.; Gutierrez, G.S.; Balbino, E.M.; Silva, J.C.P.M. Forma de utilização de cana-de-açúcar e níveis de suplementação concentrada para vacas mestiças leiteiras de baixa produção. Revista Brasileira de Agropecuária Sustentável, v.3, n.1, p.138-150, 2013.

S. Siécola Júnior, L.L. Bitencourt, L.Q. Melo, V.A. Silveira, N.M. Lopes, J.R.M. Silva, R.A.N. Pereira, M.N. Pereira. Despalha da cana-de-açúcar e desempenho de novilhas e vacas leiteiras. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.66, n.1, p.219-228, 2014    

GOVERNO BRASILEIRO CONSEGUE MAIOR AUTORIZAÇÃO DA HISTÓRIA PARA EXPORTAR CARNE A RÚSSIA

       Após meses sem grandes novidades, quase 100 frigoríficos brasileiros foram habilitados a exportar para a Rússia, no maior movimento deste tipo na história. A permissão foi publicada no site do serviço sanitário russo (Rosselkhoznadzor) nesta quarta, dia 6. As plantas pertencem a diversas empresas e o Ministério da Agricultura conseguiu autorizar 31 unidades de miúdos bovinos, 27 de carne bovina, 25 de carne de frango, quatro de carne suína e duas de lácteos.
        O motivo, segundo uma fonte do governo brasileiro, seria o fechamento do mercado russo a outros países fornecedores. Nesta quarta, dia 6, o presidente Vladimir Putin anunciou a proibição ou a limitação por um ano das importações de produtos agrícolas provenientes dos países que aplicaram sanções econômicas contra a Rússia.
        A notícia repercutiu positivamente no setor, que comemorou a liberação recorde. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Camardelli, falou ao Rural Notícias, por telefone, de Montevidéu, no Uruguai:
        – A que se louvar a atitude do governo brasileiro, principalmente do ministro (da Agricultura) Neri Geller, que paralelo às reuniões do Brics, conseguiu reunir vários técnicos do serviço russo com brasileiros, o que culminou na aproximação (entre os países) e nas garantias para efetivar esse processo – destacou Camardelli.
         O presidente da Abiec lembrou do fator importante de que a Rússia não negocia índices de ractopamina – um aditivo da classe dos beta-agonistas, que altera o metabolismo animal –  e que o Brasil precisa ter essa condição e esse cuidado.
       – Nós temos, indústria e produtores, um compromisso muito grande em executar essas garantias. Já Francisco Turra, presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), afirmou ao Canal Rural, o cuidado do Brasil com a qualidade da carne. Além da importância da influência que a liberação russa pode ter para que outros países também solicitem o produtor brasileiro.
        – A Rússia é o maior importador de proteína animal do mundo, muito dependente de carne bovina e suína. É uma grande notícia. Outros mercados ficam aguardando a liberação de mercados, que são chamados de "mercados passaporte", devido às exigências que fazem. A Rússia é muito exigente – comemorou Turra.

FONTE: Rural BR

ENTENDA COMO OS FENÔMENOS EL NIÑO E LA NIÑA AFETAM A AGRICULTURA BRASILEIRA


         Antes de entender completamente quais serão os efeitos deste El Niño de 2014, é importante esclarecer quais são os principais impactos que estes fenômenos de escala global têm em todas as regiões do Brasil.
      O El Niño é o aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico Equatorial. Já o La Niña é o fenômeno oposto: o resfriamento das mesmas águas. Até aqui, é simples. Mas determinar os efeitos destes fenômenos sobre as diferentes regiões produtoras do país é um pouco mais complicado.
     Todo o planeta sente os efeitos dessas anomalias, mas a região sul da América do Sul, que inclui o sul do Brasil, a Argentina, o Chile, o Uruguai e o Paraguai, é uma das mais afetadas por eventos de El Niño e La Niña. Dependendo do fenômeno, estas áreas apresentam forte variabilidade de precipitação interanual, ou seja, variação tanto de volume quanto de distribuição das chuvas ao longo do ano.
       Os produtores do sul do Brasil sabem bem disso já que contam com a experiência de que, em anos de El Niño, há maior ocorrência de safras fartas, porque a chuva é abundante. Mas em anos de La Niña, não se pode pensar que o efeito é o oposto. O que muda de um fenômeno para outro é a qualidade, a quantidade e a distribuição das chuvas sobre o Brasil.

Efeitos sobre o Brasil

        Naturalmente, pelo próprio tamanho do nosso país, há uma sazonalidade específica para cada região do Brasil e existem outros sistemas meteorológicos locais que atuam independentes dos fenômenos de escala global como o El Niño e o La Niña. O nosso país abriga diferentes tipos de clima: equatorial, tropical, semiárido, subtropical, tropical litorâneo e de altitude.
Quando há o aquecimento ou o resfriamento dos oceanos, há uma mudança nesta sazonalidade natural por conta do aquecimento e do resfriamento da atmosfera. Esta alteração muda a distribuição das chuvas e também as chamadas “correntes de jato”.
      – A mudança do posicionamento da corrente de jato no Brasil é que posiciona os sistemas meteorológicos – explica a técnica em meteorologia da Somar Patrícia Vieira.
      Com o El Niño, a atmosfera está mais aquecida e o calor é combustível para as chuvas de verão que passam a ocorrer na forma de pancadas. Para o produtor, nestes anos, há maiores janelas de tempo seco para os trabalhos de campo. Além disso, as correntes polares ficam mais fracas e trazem menos riscos de geadas durante o inverno.
       Em anos de El Niño, a corrente de jato vai para a região Sul, mantendo as frentes frias represadas por lá e deixando as chuvas abundantes nos meses de inverno e de primavera. Já no Nordeste, a condição é de secas mais severas. No Sudeste e no Centro-Oeste não há padrão característico na mudança nas chuvas, mas há um aumento das temperaturas médias, inclusive no inverno. No Norte do Brasil, há uma diminuição das chuvas e aumento dos focos de incêndio.
       Em anos de La Niña, com a atmosfera mais fria, a chuva tem tendência mais contínua, em vez de cair na forma de pancadas. As frentes frias são mais oceânicas e acabam levando mais chuvas para as regiões próximas à costa do Sul e do Sudeste. A região Sul fica com o tempo mais seco, diferente do que acontece em anos de El Niño, quando as frentes frias tendem a ser continentais.
Já para as regiões Norte e Nordeste, há um aumento de precipitação e da vazão dos rios. Em relação à temperatura, faz mais frio.
        – Com o fenômeno La Niña há mais ocorrência de granizo, o que prejudica muito o setor de hortifruti, e as massas de ar de origem polar são mais intensas e frequentes – explica Patrícia Vieira.
      Além de todos estes fatores, não podemos esquecer que não só é a temperatura do oceano Pacífico que determina a intensidade dos episódios de chuva. A temperatura do oceano Atlântico também interfere no clima, contribuindo ou não para a atuação dos sistemas meteorológicos locais.

Eventos mais fortes

      Há relatos de registros de El Niño desde a época do descobrimento das Américas, com depoimentos das mudanças de ventos durante as navegações. De acordo com o Centro de Pesquisas Espaciais e Estudos Climáticos (CPTec), eventos de El Niño e La Niña têm uma tendência a se alternarem a cada três a sete anos. Porém, de um evento ao seguinte, o intervalo pode mudar de 1 a 10 anos. As intensidades dos eventos variam bastante de caso a caso. O El Niño mais intenso já observado mar ocorreu nos biênios de 1982/1983 e 1997/1998.
        Em geral, episódios La Niña também têm frequência de 2 a 7 anos. Mas, na última década, eles têm ocorrido em menor quantidade que o El Niño. Além do mais, os episódios La Niña têm períodos de aproximadamente 9 a 12 meses, e somente alguns episódios persistem por mais que 2 anos. Outro ponto interessante é que os valores das anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) em anos de La Niña têm desvios menores que em anos de El Niño.
      Enquanto observam-se anomalias de até 4,5ºC acima da média em alguns anos de El Niño, em anos de La Niña as maiores anomalias observadas não chegam a 4ºC abaixo da média. Episódios mais fortes do La Niña ocorreram nos anos de 1988/1989, em 1995/1996 e em 1998/1999.
     Nas últimas décadas tivemos, inclusive, episódios dos dois fenômenos. O destaque vai para o El Niño Modoki de 2004/2005. A diferença de um El Niño Modoki é que o aquecimento do oceano não acontece de forma simultânea e completa, como em episódios do El Niño clássico, ou Canônico como também é chamado.
       Para exemplificar as diferenças, basta lembrar alguns episódios do passado. Em 2009/2010 tivemos um El Niño clássico que, por ser mais intenso, garantiu chuvas regulares e acima da média durante o período de duração do fenômeno sobre o Sul do Brasil, e falta de chuva no Nordeste – as duas regiões que apresentam maior correlação com o fenômeno.
       Já em 2004/2005, o país foi atingido pelo El Niño Modoki, agravado pelas águas mais frias do oceano Atlântico. Essa configuração trouxe chuvas irregulares para a região Sul a partir da primavera. O verão de 2005 foi regido por uma forte estiagem, principalmente os meses de fevereiro e março, frustrando a expectativa dos produtores e causando a maior quebra de safra da história.

O El Niño deste ano

       Para este ano, o El Niño em curso tem como efeito mais evidente a redução do frio extremo no Centro-Sul do Brasil durante o inverno. Este fator combinado, às águas quentes do oceano Atlântico próximo à costa do Sul do Brasil, retardou a chegada do frio no outono, beneficiando diretamente as lavouras de milho segunda safra do Paraná e de Mato Grosso do Sul, que têm na questão da temperatura o seu maior risco.
       A redução do frio também vai beneficiar as lavouras de trigo do Paraná, que no ano passado foram muito castigadas com as geadas. No entanto, o risco associado ao El Niño está na fase final desta lavoura em função do aumento das chuvas na hora da colheita. O risco é ainda maior para as lavouras do Rio Grande do Sul que plantam mais tarde e podem ser prejudicadas com o aumento de chuvas na primavera.

  
       Para o Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, a presença do El Niño nesta época do ano também reduz o risco de frio. Uma das características é que o período seco não será tão extremo e longo, o que beneficia setores como cana-de-açúcar, café, pastagens e produção de carne e leite. Fica a ressalva apenas que, para estes setores, em função de alguns episódios de chuva, podem ter alguns problemas operacionais e de manejo.
      Para as regiões Norte e Nordeste do Brasil, o El Niño não tem uma influência direta nesta época do ano. O que vale destacar em relação à condição do El Niño Modoki está relacionado com o verão: não há garantia de chuvas regulares para a safra de verão do Sul. Mesmo com o El Niño, esta região pode enfrentar períodos de estiagem, que é o principal risco para suas lavouras.
Para as lavouras do Sudeste e do Centro-Oeste as condições médias de clima devem prevalecer. Para o Nordeste do Brasil, o El Niño fraco e de curta duração passa a ser uma boa notícia, já que o fenômeno não provocará a redução de chuvas entre fevereiro e maio, condição que acontece em períodos com El Niño fortes.

A origem do nome

      A palavra El Niño é derivada do espanhol, e refere-se à presença de águas quentes que todos os anos aparecem na costa norte de Peru na época de Natal. Os pescadores do Peru e Equador chamaram a esta presença de águas mais quentes de Corriente de El Niño, em uma referência ao Menino Jesus (Niño Jesus).
       Ao imaginar o oposto do fenômeno, o resfriamento das águas, nada melhor para os especialistas no assunto darem a nomenclatura feminina para o evento e assim surgiu o nome La Niña. Afinal se existe o guri, tem que existir a guria. Mas o fenômeno La Niña já teve outros codinomes menos usados como El Viejo, (O Velho), ou anti-El Niño. No entanto, como El Niño se refere ao menino Jesus, anti-El Niño é um nome que nao pegou bem e é pouco utilizado.

FONTE: Pryscilla Paiva - Canal Rural

PESQUISADORAS DA UFV PROPÕEM MÉTODO RÁPIDO E PRECISO PARA AVALIAÇÃO SENSORIAL DE ALIMENTOS


      Para que um produto alimentício chegue até a mesa do consumidor, ele passa por várias etapas de desenvolvimento. Isso exige das indústrias métodos que assegurem qualidade e controle desse processo. A análise sensorial de alimentos é uma ferramenta determinante para avaliar as características de um produto. Tendo em vista a importância dessa ferramenta e a necessidade de se encontrar métodos que reduzam o tempo de teste sensorial, a professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da UFV, Valéria Paula Rodrigues Minim, e a pós-doutoranda Rita de Cássia Navarro Silva desenvolveram o Perfil Descritivo Otimizado (PDO), uma metodologia rápida e precisa, que possibilita identificar e quantificar a intensidade dos atributos de aparência, aroma, sabor e textura dos alimentos.
      Determinar os atributos sensoriais é fundamental para desenvolver novos produtos, aperfeiçoar formulações, comparar produtos concorrentes e manter o controle de qualidade dos alimentos. A análise sensorial é feita por uma equipe de julgadores treinada especificamente para fazer essa avaliação. E é na etapa de treinamento da equipe sensorial que a metodologia desenvolvida na UFV apresenta uma inovação em relação ao método de avaliação convencional (Análise Descritiva Quantitativa).
        No PDO, o tempo de treinamento é curto, um ou dois dias. Enquanto que no método convencional, o treinamento pode durar até três meses. De acordo com a professora Valéria Minim, “no contexto prático da indústria, o treinamento dos julgadores consiste em uma etapa crítica para obtenção de perfis sensoriais. A indústria tem necessidade de maior rapidez e com o PDO a redução no tempo é de 50% em relação à metodologia convencional”.
        No método de avaliação convencional é necessário de 10 a 12 julgadores. Já no PDO, o número ideal de julgadores é 16. Mas mesmo aumentando quatro integrantes na equipe, comparando os dois métodos, o PDO se mostra economicamente viável devido à grande redução no tempo de treinamento.
        O registro de autoria do PDO na Biblioteca Nacional foi feito em 2011. A metodologia é fruto de pesquisas desenvolvidas ao longo de mais de seis anos. No PDO, no momento da avaliação dos alimentos, o julgador consulta referências de fraco e forte que ancoram os extremos da escala utilizada para avaliar (escala não estruturada de 9 cm). Por exemplo, para avaliar quatro iogurtes de marcas diferentes, o julgador pode comparar um com o outro e pode consultar as referências dentro da cabine onde é feita a avaliação, para depois atribuir a nota. Além disso, é utilizado o protocolo de avaliação atributo por atributo.
       Já no método convencional, durante a avaliação o julgador não consulta referências. A nota que ele atribui é de acordo com o que ele memorizou durante o treinamento. A pós-doutoranda Rita de Cássia explica que no PDO a forma de avaliar foi modificada, dando condição ao julgador de saber no momento da avaliação as referências, dispensando assim, o longo tempo de treinamento. A professora Valéria destaca que a proposta é reduzir o tempo de treinamento, mas com controle apurado de intensidade. E o PDO apresenta qualidade de resultados.
      O PDO pode ser utilizado para avaliar qualquer produto. Durante o seu desenvolvimento foram avaliados requeijão, suco, iogurte e chocolate. Para validação da metodologia, além da UFV, os estudos foram feitos em laboratórios da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Universidade Federal de Lavras (UFLA) e Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ). Todos revelaram resultados semelhantes, confirmando o PDO como uma metodologia rápida, exata e precisa.

FONTE: Elaine Nascimento - Universidade Federal de Viçosa

PESQUISA MOSTRA QUE 80% DOS CONSUMIDORES ESTÃO PREOCUPADOS COM A SUSTENTABILIDADE NA AGRICULTURA


      Um estudo apontou que 75% dos brasileiros estão dispostos a pagar mais por alimentos produzidos de forma ambientalmente correta, mais de 80% dos consumidores estão preocupados com a sustentabilidade na agricultura e 90% afirmam respeitar o trabalho do agricultor. A pesquisa ouviu mais de 300 agricultores e 1.000 consumidores brasileiros. O levantamento realizado pela Basf faz parte de uma campanha de valorização da agricultura brasileira.
      Temas como melhorias em tecnologia, mais subsídios do governo, mudanças climáticas, aumento da produtividade e utilização de biotecnologia foram apontados pelos agricultores como as principais tendências para os próximos cinco anos.
      Entre as principais conclusões, está o aumento no nível de confiança do agricultor como provedor de alimentos, desempenhando uma função necessária e essencial na sociedade, além de uma maior satisfação do agricultor com o cenário atual da agricultura, se comparado com 2011, ano do último estudo.
     A maioria dos entrevistados associou sustentabilidade na agricultura somente a aspectos relacionados ao meio-ambiente e biodiversidade, o que, segundo a empresa, demonstra uma visão simplista do tema. No Brasil, 67% dos agricultores concordam que utilizam métodos sustentáveis de produção. No entanto, apenas 37% dos consumidores partilham dessa visão.
     O nível de satisfação do agricultor com a sua função foi de 77% dos entrevistados. Eles também se sentem melhor com a sua posição na sociedade em relação à pesquisa anterior, são 73,3% no levantamento de 2014.

FONTE: Canal Rural, com informações da Basf

ESTUDO MOSTRA QUE BRASIL PODE TER MAIOR EXPANSÃO AGROPECUÁRIA DO MUNDO COM DESMATAMENTO ZERO


        Um estudo coordenado pelo Instituto Internacional para a Sustentabilidade (IIS), em parceria com a Embrapa e o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), e publicado no periódico Global Environmental Change, mostrou que uma melhor utilização de áreas já dedicadas à pecuária pode conciliar uma expansão expressiva da agropecuária nacional com desmatamento zero.
      – Nossas análises mostram que o Brasil já possui áreas agrícolas e pecuárias suficientes para absorver a maior expansão de produção agrícola do mundo nas próximas três décadas, sem precisar desmatar um hectare adicional de áreas naturais – afirmou o coordenador do estudo, Bernardo Strassburg, professor da PUC-Rio e diretor executivo do Instituto Internacional para a Sustentabilidade.
      A chave é o aumento de produtividade das áreas de pastagem. Hoje é utilizado apenas um terço do potencial das pastagens disponíveis no país, se a pecuária passasse a utilizar metade deste potencial, em 30 anos conseguiria aumentar em 50% a produção de carne e liberar 32 milhões de hectares para outros cultivos, como a soja e florestas plantadas. Os dados são pesquisa e apontam que se fosse atingido 70% do potencial, ainda seriam liberados outros 36 milhões de hectares para recompor áreas nativas.
      – O aumento da produtividade da pecuária no Brasil irá exigir esforços significativos, incluindo um planejamento territorial integrado, oferta de linhas de crédito compatíveis com a pecuária, de preferência com assistência técnica integrada. Estes podem ser caracterizados como um grande desafio – diz Agnieszka Latawiec, diretora de pesquisas do IIS.
Esse aumento é possível, com base no estudo, e poderia contribuir para resolver uma variedade de problemas socioambientais, aumentar a renda do produtor, diminuir a pobreza rural e fixar o homem no campo, resultando em um setor agrícola mais sustentável no Brasil. Por outro lado, a iniciativa também apresenta riscos:
       – É imprescindível que uma política de aumento de produtividade – e portanto do lucro – na pecuária seja acompanhada de esforços complementares para evitar um impulso por mais desmatamento – completa Strassburg.
Segundo Judson Valentim, pesquisador da Embrapa Acre, tecnologias desenvolvidas pela Embrapa na forma de sistemas intensivos de produção bovina a pasto, associados a sistemas de integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta estão promovendo uma revolução na agropecuária brasileira. As cultivares de gramíneas e leguminosas forrageiras, desenvolvidas pela Embrapa, já são adotadas em mais de 42 milhões de hectares de pastagens cultivadas em todo o Brasil.
       – Por serem bem adaptadas às diferentes condições de clima e solo, além de mais produtivas e de melhor qualidade, estas pastagens proporcionaram renda adicional de R$ 8,9 bilhões aos produtores em 2013. Esses sistemas de produção sustentáveis conciliam aumento da produção e a melhoria da renda e do bem-estar dos produtores com a conservação dos recursos naturais – destaca Valentin.
       O Plano ABC (Plano Setorial de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura), desenvolvido pelo governo federal é um exemplo de política pública que estimula a adoção dessas práticas. Produtores rurais podem requerer crédito para adoção de técnicas de baixa emissão de carbono, como recuperação de pastagens degradadas, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs), sistema Plantio Direto (SPD),Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) e florestas plantadas; além de tratamento de dejetos animais. A meta é incorporar oito milhões de hectares até 2020. Ao evitar o desmatamento e diminuir a emissão de metano por quilo de carne produzida, a iniciativa também seria uma poderosa ferramenta de conservação da biodiversidade e de mitigação das mudanças climáticas, evitando a emissão de até 14,3 GtCO2.

FONTE: Canal Rural, com informações do IIS

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA AUTORIZA NOVO DEFENSIVO CONTRA BROCA-DO-CAFÉ EM MINAS GERAIS


      Os produtores de café estão divididos depois que o Ministério da Agricultura autorizou o uso de um novo defensivo para o combate da broca-do-café. A medida, que, por enquanto, só vale para Minas Gerais, animou os produtores do Estado. Já em São Paulo, outro grande produtor do grão, os cafeicultores estão preocupados.
       A broca-do-café é uma das pragas que mais prejudicam o desempenho da cafeicultura no Brasil. Desde março, o Estado de Minas Gerais foi declarado em emergência fitossanitária pela infestação da broca. Agora, somente os cafeicultores mineiros poderão usar um novo produto contra a praga. Foi autorizada a importação de um inseticida à base de ciantraniliprole. A permissão é temporária, até março de 2015, o mesmo período de duração do estado de emergência, decretado pelo Ministério.
      – O Departamento de Sanidade Vegetal foi notificado por técnicos da Embrapa Café e da Universidade Federal de Lavras sobre uma grande possibilidade de surto da broca-do-café no Estado de Minas Gerais. O motivo seria a retirada do Endossulfan. Inicialmente, essa medida só vale para Minas Gerais – explica o fiscal agropecuário do Ministério da Agricultura Ériko Sedoguchi.
      No ano passado, foi proibido o uso do inseticida endosulfan, porque ele deixava resíduos nos grãos. O produto que acabou de ser liberado contra a broca-do-café já é utilizado por outros países.
       – Estivemos em uma missão na Colômbia, com pesquisadores, engenheiros agrônomos e produtores. Na Federação dos Cafeicultores da Colômbia, pudemos verificar o teste do produto e da molécula. Estão no terceiro ano de resultados, interagindo muito bem e de forma ecológica, com resultado econômico nas lavouras – comenta o consultor Eduardo Sampaio.
No município de Andradas, sul de Minas Gerais, a maior parte do café já foi colhida. A produção foi, em média, de 30% menor do que a esperada. Além da praga, a falta de chuvas derrubou os rendimentos dos grãos. A notícia de um novo defensivo para a próxima safra de café animou os produtores.
        – Conseguindo eliminar as perdas da broca-do-café, a cafeicultura inteira vai sair ganhando. Precisamos de um produto que esteja à altura pra controlar esta praga – comemora o produtor João Paulo de Oliveira.
        O cafeicultor Alessandro Bessi Manzoli produz o grão em Santo Antônio do Jardim, em São Paulo, mas bem próximo de Minas Gerais. Como, por enquanto, a norma só vale em território mineiro, ele já pensa em como conseguir usar o novo inseticida.
       – O que nós podemos fazer é pedir para um vizinho comprar para a gente. Conseguimos usar do mesmo jeito. É a única solução que temos se não liberarem para nós – argumenta Manzoli.

FONTE: Roberta Silveira – Canal Rural

ABELHAS VOLTAM E PRODUÇÃO DE MEL COMEÇA A SE RECUPERAR

        Os apicultores mineiros começam a recuperar a produção, depois de terem perdido até metade das abelhas no ano passado. Enxames inteiros morriam na porta da colmeia, e outros simplesmente sumiam, deixando a colmeia vazia, num fenômeno ainda sem uma explicação unanimemente aceita, mas que tem acontecido em várias partes do mundo.
        Elder Pimenta, que tinha 320 colmeias em Entre Rios de Minas, perdeu 150 delas. “Arrendo áreas de mata de fazendeiros e mantenho 20 colmeias em cada uma. Encontrei caixas cheias de mel com as abelhas mortas no chão”, conta. Com essa perda, Elder Pimenta, que produz média de 30 quilos por safra, chegando a até quatro safras por ano, produziu apenas uma safra no primeiro semestre de 2013, perdendo todo o segundo semestre. Ele atribui a recuperação ele a uma “reviravolta da natureza” e à intensificação dos cuidados com as colmeias. “Neste segundo semestre devo alcançar uma safra”.
        Em Barbacena, o apicultor João Evangelista Nogueira, que tinha 460 colmeias, perdeu 106 em 2013. “Recuperei quase 80%. No ano passado não produzi nada. E neste ano já retirei 3,5 toneladas. Espero até o final do ano dobrar esse volume”, destaca o produtor. Ambos acreditam que as abelhas devem ter morrido por causa do contato com agrotóxicos.

Envenenadas

       O especialista em apicultura e professor aposentado da Universidade Federal de Viçosa Hélio Silva explica que os agrotóxicos são realmente os responsáveis pela morte e até extinção das abelhas em alguns lugares do mundo. “Nos Estados Unidos, há perdas de até 50% em alguns Estados. Na Europa e na China, há regiões em que não há mais abelhas. No Brasil, lavouras e pomares com agrotóxicos também já fazem grandes perdas, embora pontuais”, diz Silva. O Brasil ainda tem uma média de perdas dentro do esperado na natureza, de até 30%.

FONTE: FAEMG

GENÉTICA DOBRA EFICIÊNCIA DO REBANHO LEITEIRO DE MINAS

        As técnicas de fertilização in vitro e inseminação artificial, aliadas às pesquisas de melhoramento genético, têm elevado a produção de leite em Minas Gerais. No Estado, a média produtiva saltou de 7 litros em 2006, para 14 litros por animal/dia neste ano. No Brasil, o volume diário é de 5 litros por animal.
       A produtividade do plantel mineiro, atualmente, é comparada à do neozelandês, maior exportador lácteo do mundo. Para chegar a esse patamar, pesquisadores locais vêm trabalhando com a mistura das raças Gir e Holandês, consideradas as melhores da pecuária leiteira.
        “A maior parte da produção do Estado é sustentada pelo gado mestiço, que representa 80% do rebanho. Trabalhamos com ele, porque nossas fazendas têm um ambiente rústico, então, os novilhos herdam do Gir a resistência e, do Holandês, a capacidade de produzir. O resultado é um animal que produz bem em um ambiente com muitas limitações”, afirma o veterinário e pesquisador especialista em melhoramento da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), Alberto Marcatti.

Desafios

        A profissionalização da produção leiteira no Estado consolida a liderança mineira no ranking nacional. Segundo o diretor da FAEMG e presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Rodrigo Alvim, Minas responde por 28,7% do total de leite produzido em todo o país.
        “Os destaques ficam com as regiões do Triângulo e Alto Paranaíba, que não tinham tradição na pecuária. Quando praticavam alguma atividade, era de corte. Mas, hoje, correspondem à maior bacia leiteira do Estado, com 30% da produção”, diz Alvim.
        De acordo com ele, a qualidade do leite tem sido uma preocupação constante e a motivação para a criação de vários programas de melhoramento. “Mas, a carência fica sempre na questão da assistência técnica. Precisamos ser mais competitivos, reduzir custos de produção e isso é difícil de fazer sem esse amparo. No caso do leite, então, é mais importante ainda, já que mais de 70% dos produtores brasileiros são de pequeno porte”, diz Alvim.

Desequilíbrio

       Outro desafio, atualmente, é estimular o acesso dos pecuaristas às novas tecnologias empregadas no incremento da produção, porque, na avaliação de especialistas, o futuro da produção de leite, não apenas em Minas, mas em todo o mundo, é, de fato, pelas vias da genética.
        Segundo um estudo da International Farm Comparison Network, rede global de pesquisadores econômicos, até 2030, a relação entre oferta e demanda do produto tenderá a ser desproporcional.
Isso porque o aumento da população e a melhoria da qualidade de vida nos países emergentes levarão ao aumento do consumo em uma velocidade superior à da produção.
         “A demanda por alimentos é crescente, mas não podemos aumentar o rebanho, é uma questão de espaço, de alimentação. O que temos que fazer é desenvolver tecnologias que façam o animal produzir mais”, diz Mascatti.

Sêmen sexado favorece fêmeas

        Dentre as técnicas que vêm sendo trabalhadas em Minas Gerais para o aumento da produção e da qualidade do leite, o uso de biotecnologia é a mais comum, especificamente transferência de embrião e fertilização in vitro (FIV). As duas práticas permitem que as crias tenham um desempenho igual ou superior ao de seus genitores.
          Uma das empresas referência no assunto é a Alta Genetics, no Triângulo. Com sede no Canadá, a companhia instalou-se em Uberaba devido à tradição produtiva do Estado.
“Minas é e sempre foi o maior produtor de leite do país. As associações das principais raças produtoras – Gir, Holandês e Girolando – estão sediadas aqui. Isso favorece o jogo de informação para os trabalhos de genética”, afirma o gerente de Produto Leite da Alta Genetics, Guilherme Marquez.
         O coordenador técnico de Bovinocultura da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais), José Alberto de Ávila Pires, explica que, até alguns anos atrás, predominava o sistema de monta natural, ou seja, a vaca era acasalada por um macho de qualidade não comprovada. “Dávamos um tiro no escuro. Com a FIV, pegamos uma vaca excepcional e introduzimos o sêmen de um touro do mesmo patamar”, afirma .
        Outro processo que está chegando ao mercado é a implantação de sêmen sexado, que oferece até 90% de garantia de que o filhote será fêmea, aumentando a oferta de vacas leiteiras no rebanho. “Com essa inovação, a tendência é de que o custo para o consumidor final da vaca melhorada caia, já que teremos maior oferta de animais de qualidade”, diz Pires.

Repercussão

        Segundo o coordenador do programa estadual de cadeia produtiva Minas Leite, Rodrigo Venturin, o Estado é, hoje, o maior detentor da genética bovina leiteira do Brasil. Aos poucos e por meio de iniciativas públicas, novas tecnologias vão sendo levadas aos pecuaristas mineiros.
        “Estamos orientando os produtores a comprar animais de genética superior para produzir leite e bezerros de qualidade”.

FONTE: FAEMG

PLANTANDO MELHOR E COM SUSTENTABILIDADE


Arborização e Paisagismo: Primeiro passo para uma cidade mais sustentável

            Escrever sobre sustentabilidade é muito fácil, chega ser até mesmo poético e filosófico quando falamos do verde, do meio ambiente, da preservação e da eco-conscientização. A verdade é que a prática ecológica e sustentável está muito longe da teoria que pregamos. Por mais que busquemos uma vida ambientalmente sustentável estamos a cada dia mais distante dessa realidade. Estou cansado de ver artistas globais, por exemplo, que nunca plantaram uma árvore na vida, erguendo hipocritamente placas e vestindo camisas de “Vamos Salvar o Planeta”...Pregando aquilo que não fazem e tentando iludir leigos e desletrados...Afinal, é fácil induzir uma população que tem preguiça de ler, de se informar, de buscar soluções para os seus problemas cotidianos e que cerca de 30% é considerado analfabeto funcional, ou seja, lêem, mas não entendem.
            Não vejo nenhum artista desses deixar seu luxuoso apartamento ou sua confortável mansão a beira-mar para morar em uma “taverna” ecológica no meio do mato. Não vejo esses seres ambientalistas e corretamente ecológicos, abrirem mão de um carro da última geração e viajar por aí como nos tempos antigos, de carroças, de bicicleta, à cavalo ou mesmo à pé. Só vejo artistas com roupas de grife, sempre renovando seus armários para andar na moda...e a quantidade de algodão e de linho que tem sido plantado para a confecção dessas roupas? Quantos animais são mortos para retirada de lã e couro para confecção de roupas, sapatos e bolsas? E os litros de água que são gastos desde o processamento dessas matérias-primas até a confecção final de tais produtos? E o combustível que é gasto desde a colheita das matérias-primas no campo até o transporte das roupas, sapatos e bolsas para as lojas? E o alimento que consomem, será que são advindos de uma fazendinha agroecológica ou de alguma produção orgânica? Os móveis dessas pessoas são aqueles compensados ecológicos, materiais alternativos e recicláveis ou são confeccionados com madeiras nobres, como mogno, cedro, sucupira e tantas outras? São tantas perguntas, que se pararmos para pensar, somos todos semeadores de ideias que não são cultivadas.
            As Organizações Não Governamentais (ONG’s) ambientalistas que me desculpem, mas tenho visto cada “lorota” que chega a arrepiar. É incrível como o mundo é feito de pessoas que não tem um mínimo de bom senso. É claro que não se pode genaralizar, pois, existem muitas ONG’s que procuram fazer um trabalho sério, sem devaneios, manipulações e radicalismos extremistas. Fala-se muito na construção de cidades sustentáveis, mas a realidade não é muito fácil, pois, tal construção depende da integração política, social e mental.


           As cidades brasileiras, na sua grande maioria, não foram planejadas. Construímos sociedades cada vez mais desorganizadas, sem planejamento e sem estrutura adequada. É preciso repensar o modo como as cidades estão se desenvolvendo. A reestruturação do modelo de sociedade deve estar pautada nos três pilares que citei no parágrafo anterior. O pilar da política deve estabelecer legislações rigorosas e efetivas para implementar ações que visem a melhoria da qualidade do solo, da água e do ar nos ambientes urbanos. Criar programas de conscientização da população e promover ações de recuperação de ambientes degradados pela ocupação antrópica desordenada, minimizar os impactos sócio-ambientais causados por antigos e novos empreendimentos urbanos, entre outras ações.
O pilar social está relacionado com a contribuição que a sociedade pode oferecer de forma coletiva para a melhoria do ambiente urbano, como a elaboração de projetos executados por cidadãos voluntários, por entidades como Rotary International, Lions Clube do Brasil, Movimentos Pastorais, Instituições de Ensino Públicas e Privadas, etc. A sociedade deve ser a grande promotora da mudança do perfil ambiental e ecológico de uma determinada cidade, portanto, o terceiro pilar que é a integração mental se refere a mudança de mentalidade da população. É preciso que as pessoas sejam mais conscientes de suas ações. Uma pequena ação como guardar um papel de bala para jogar fora em casa ou quando encontrar uma lixeira disponível, em vez de jogá-lo na rua, já é uma atitude consciente e racional de nossa parte. Entretanto, a mentalidade é tão arcaica que o cidadão pensa “Ah! Não adianta eu guardar esse papel para jogar na lixeira, afinal, há tantos papéis jogados na rua, não será a minha ação que fará a diferença!”. É aí que você se engana! É por todos pensarem deste modo, que as nossas cidades estão ficando cada dia mais poluídas. A ação tem que partir de alguém. Porque não começar a partir de hoje? Seu bolso não vai pesar mais, se guardar um papelzinho para descartar no lugar adequado.
As nossas cidades estão cada vez mais pobres em paisagismo e arborização. É raro encontrar uma área verde que tenha sido planejada ou que tenha sido implantada e tem a sua manutenção nos dias de hoje. A arborização de uma cidade é importantíssima, pois, as árvores interceptam, refletem, absorvem e transmitem a radiação solar, reduzindo as temperaturas do ambiente urbano. Além disso, ainda são responsáveis por absorver parte do carbono liberado na atmosfera pela queima de combustíveis fosseis e liberação de fumaça das indústrias, dando mais pureza ao ar que respiramos. As cidades sem arborização, tendem a ser mais quentes, principalmente quando são completamente asfaltadas.
No verão, quando visitei minha cidade natal, Bambuí, localizada a aproximadamente 260 km de Belo Horizonte, no Centro Oeste de Minas Gerais, observei o quanto a cidade estava “pelada” e como as temperaturas se elevaram. A maioria das pessoas com as quais conversei ressaltaram dizendo que “Bambuí nunca esteve tão quente como agora!”. As árvores plantadas nas ruas das cidades foram praticamente extintas, como pode ser observado nas fotos desse artigo. A cidade se desenvolveu, novos bairros surgiram, todos asfaltados e com uma infraestrutura invejável. Graças a legislação da cidade que exige que novos loteamentos sejam entregues com iluminação, saneamento básico, asfaltamento e espaço de área verde e lazer. Esse é um ponto muito positivo, que deixou-me bastante feliz. A cidade tem sido completamente asfaltada, o que favorece o aquecimento local, devido ao calor que a manta asfaltica consegue reter ao longo do dia. O paisagismo da cidade também tem melhorado bastante, uma vez que as pracinhas foram reformadas e estão sendo cuidadas, tanto pelo poder público quanto pela população. A mentalidade das pessoas também parece ter evoluído, visto que as ruas da cidade encontram-se bem mais limpas.
A cidade de Bambuí ainda está carente de projetos de arborização das suas ruas e da implantação das áreas verdes dos novos bairros. O espaço destinado a essas áreas verdes estão sendo reservados, mais ainda não há nada implantado. Em relação as árvores antigas, estas devem ser apenas podadas, quando necessário, pela administração pública e serem cortadas apenas se oferecer algum risco de queda ou de dano a residências. É necessário que as árvores sejam preservadas e que os espaços destinados a área verdes sejam cultivados e mantidos com a ajuda da população. Esse é um passo fundamental para transformar nossa cidade convencional em uma cidade mais sustentável, com um clima mais agradável para viver e com solo, água e ar de qualidade. Utilizei a cidade de Bambuí, como exemplo, porque tenho acompanhado o desenvolvimento e as mudanças agrícolas e climáticas dessa região. Vejo que diversas outras cidades tem o mesmo problema, já passei por outras cidades onde é possível andar quilômetros sem ver uma árvore na rua. A arborização de uma cidade é essencial, tanto pelo aspecto climático, como pelo aspecto paisagístico local. A cidade fica mais bela, mais vigorosa, mais cheia de vida e nos apresenta um mosaico de cores quando chega a Primavera. Não cortar as árvores que existem no perímetro urbano, sem necessidade, já é uma grande ação para quem quer viver em uma cidade mais sustentável.

 


COLHEDORA DESENVOLVIDA NA UFV PODE REVOLUCIONAR CAFEICULTURA MUNDIAL

Uma máquina desenvolvida por pesquisadores da UFV pode revolucionar a cafeicultura mundial – atividade que movimenta bilhões de dólares por ano e representa, historicamente, um dos principais itens da pauta de exportações do Brasil. O país, que lidera a produção e o comércio do grão em todo o planeta, poderá agora assumir a vanguarda tecnológica na colheita do café, por meio de um equipamento - guiado por controle remoto - que permite a realização desse procedimento em áreas com inclinação de até 50%.
A expectativa é de que a invenção traga significativos avanços na área de cultivo, já que as colhedoras convencionais não podem ser utilizadas em plantações cuja declividade seja superior a 10%. Tal limitação inviabiliza a colheita mecanizada em regiões de montanha, a exemplo de Minas Gerais, onde o procedimento é predominantemente manual. Além de ser menos eficiente e, por conseguinte, mais caro, colher o café à mão vem deixando de ser uma opção devido à indisponibilidade de mão de obra – que tem migrado para outros segmentos da economia, como a construção civil.
O protótipo da nova colhedora, já em escala industrial, é o resultado de um ano e dois meses de trabalho de uma equipe de pesquisadores do Laboratório de Mecanização Agrícola, vinculado ao Departamento de Engenharia Agrícola da UFV. A concepção tomou forma a partir das pesquisas orientadas pelo professor Mauri Martins Teixeira e elaboradas pelo então estudante de doutorado em Engenharia Agrícola, Marcos Vinícius Morais de Oliveira, atualmente professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Outro participante da iniciativa é o engenheiro agrícola Gustavo  Vieira Veloso, hoje cursando doutorado na UFV.
Com 12 motores elétricos, o equipamento tem particularidades que possibilitam sua ação inovadora. Uma delas é um sistema de acionamento independente nas quatro rodas, que favorece sua locomoção na lavoura e permite que a máquina gire em torno de seu próprio eixo. Para efeito de ilustração, é como se um carro fosse estacionar e, em vez de fazer as manobras mais conhecidas, parasse ao lado da vaga, girasse as rodas 90 graus em direção ao local onde pretende ficar e estacionasse. Como explica o professor Mauri, “o espaço demandado para fazer curvas, por exemplo, passa a ser bem menor, dispensando a área de manobra e favorecendo a ampliação do terreno para cultivo”.
Outra vantagem da colhedora de café é ter um chassi que permite a articulação da sua estrutura superior, já que os equipamentos convencionais têm um sistema hidráulico de compensação da inclinação. Mas um dos maiores destaques está no alto da máquina, onde fica o mecanismo de articulação, que, conforme o nome, permite sua articulação, propiciando a colheita em terrenos com declividade em torno de 50%, mantendo os derriçadores sempre a uma mesma altura do solo. Com isso, a colheita é feita em toda a planta, independentemente da inclinação. “Vamos fazer alguns testes, mas acreditamos que seja possível a utilização da máquina em áreas com até 80% de inclinação”, afirma o professor Mauri.
Outro diferencial que chama a atenção na invenção é seu acionamento a distância, controlado remotamente, tornando sua operação mais segura. “Uma possibilidade bem viável é a instalação de câmeras, fazendo com que a máquina seja operada de uma sala de controle”, observa o professor Mauri, que destaca, também, o papel da UFV no contexto das tecnologias voltadas ao campo. “Com um volume de recursos modesto, mas com empenho e criatividade da equipe, foi possível dar origem a esse equipamento. Mais uma vez, a Universidade demonstra sua capacidade de trazer benefícios à sociedade brasileira por meio da pesquisa”. Veja os vídeos abaixo que mostram a nova tecnologia em um pré-teste realizado na Universidade.


FONTE: Marcel Ângelo – Universidade Federal de Viçosa  - Foto: www.ufv.br - Vídeos: News Cafeicultura

PESQUISADORES ALERTAM QUE MILHO BT ESTÁ PERDENDO A EFICIÊNCIA

As cultivares de milho dotadas de tecnologia Bt – materiais geneticamente modificados que conferem a produção de proteínas tóxicas para algumas espécies de lagartas e outros insetos – vem perdendo eficiência nos últimos anos no Brasil. É o que alertam os pesquisadores da Fundação de Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT) Rafael Zeni e Lucia Vivan. A atual segunda safra do grão tem comprovado os resultados obtidos nas pesquisas desenvolvidas ao longo dos últimos anos.
– No campo o que se tornou bastante comum é a utilização de várias aplicações de inseticidas, a fim de conter a pressão de pragas no milho transgênico. A situação é mais frequente em tecnologias com maior tempo de utilização e que apresentam a expressão de apenas uma proteína Bt – explica Zeni.
A tecnologia Bt foi criada em 1997 nos Estados Unidos e há pouco mais de seis anos foi liberada para uso comercial no Brasil. Desde então, passou a ser utilizada em larga escala, acarretando a atual situação das lavouras. Isso porque, naturalmente, estes genes de resistência do milho Bt estão presentes nos insetos, em frequências bastante pequenas, conforme esclarece a entomologista.
– A partir do momento que trabalhamos com a tecnologia mais intensamente, iniciamos uma forte pressão de seleção destes genes de resistência, fazendo com que as populações de insetos resistentes aumentem.
Outro ponto importante que pode contribuir para a perda de eficiência da tecnologia Bt é a ausência de refúgios estruturados nas áreas de plantio.
– A utilização do refúgio estruturado continua sendo uma estratégia fundamental para prolongar a vida útil da biotecnologia. Algumas instituições e pesquisadores defendem a necessidade em aumentar o tamanho da área, a fim de garantir a multiplicação suficiente de insetos suscetíveis e a sua reprodução. A definição do tamanho atualmente está em reavaliação e o governo federal vem trabalhando na criação de leis que obriguem o cumprimento das exigências – aponta Zeni.
No refúgio é importante fazer o plantio de milho convencional com distância máxima de 800 metros do milho Bt. Assim, há o encontro das mariposas resistentes com as suscetíveis a tecnologia, evitando assim a evolução da resistência, destaca Vivan.
– Há várias formas de se fazer esse plantio, em faixas alternadas, nas bordaduras, em blocos maiores ou menores. O produtor deve adotar o desenho que melhor se adapte à sua situação.
Os pesquisadores orientam também com relação ao manejo do milho Bt.
– É preciso entender que a transgenia é mais uma ferramenta a ser inserida no Manejo Integrado de Pragas (MIP) e que não pode ser encarada como a solução para todos os problemas. É importante que o produtor realize o monitoramento a campo periodicamente e acompanhe a evolução dos índices das pragas ao longo do ciclo –  orienta a entomologista. Ela ainda lembra que em casos de escape de pragas, a intervenção com outras medidas de controle, como defensivos, precisa ser adotada nos estágios e doses recomendadas, com tecnologia de aplicação adequada para a condição.

Lagarta do cartucho

A lagarta do cartucho é a praga que mais preocupa a classe produtora de milho no cerrado brasileiro. Mesmo havendo um complexo de pragas que atacam a cultura, inclusive do gênero helicoverpa, a Spodoptera frugiperda ainda representa as maiores perdas.
– Sua presença pode ocorrer desde os estágios iniciais, podendo ter hábito de rosca e comprometer estande de plantas; durante o período vegetativo, com danos expressivos nas folhas [cartucho]; e no período reprodutivo, pelo seu ataque nas espigas, ocasionando danos diretos a produção, além de promover porta de entrada para patógenos e outras pragas – detalha a entomologista da Fundação MT.
No milho convencional os danos são variáveis em função da fase de desenvolvimento em que a planta sofre o ataque, oscilando entre 17%, nos primeiros estádios, a 34% nos últimos de desenvolvimento vegetativo. Como hoje algumas tecnologias são atacadas como plantas convencionais, as perdas podem ser similares se não for realizado o controle.
Para os próximos anos, a classe produtora de milho pode esperar por parte das empresas o lançamento no Brasil de novos eventos biotecnológicos. De acordo com Zeni, eles devem contemplar dentre outros, genes para tolerância a estresse ambiental, maior eficiência na utilização de nutrientes, maior teor nutricional no grão e alta produtividade.
– No que diz respeito à tecnologia Bt, em curto prazo não devemos ter grandes novidades de genes e proteínas, mas sim novos eventos a partir da combinação de genes já utilizados (piramidação) – destaca o pesquisador da Fundação MT.
A piramidação é a junção de dois ou mais genes, que produzem toxinas com diferentes mecanismos de ação, em um único indivíduo.
– Esta combinação aumenta a durabilidade da eficiência da tecnologia, uma vez que reduz o risco de eventuais quebras de resistência das pragas alvo – finaliza.


FONTE: Fundação MT

COLHEITA DE CANA-DE-AÇÚCAR DEVERÁ ALCANÇAR 616,5 MILHÕES DE TONELADAS NA SAFRA 2014/15

A consultoria Datagro divulgou no dia 18 de julho de 2014, a atualização das projeções para a safra 2014/2015 da indústria sucroenergética brasileira. A empresa anunciou que espera colheita de 616,5 milhões de toneladas de cana-deaçúcar na atual safra. O volume representa queda de 5,5% ante o volume registrado na safra anterior. Segundo a consultoria, a seca e a política governamental que incentiva o consumo de gasolina estão por trás dos números.
Os números apresentados pelo presidente da Datagro, Plinio Nastari, durante o 3º Encontro do Açúcar e Etanol, realizado em Londres, mostram que a colheita brasileira de cana-de-açúcar deve somar 560,5 milhões de toneladas no Centro-Sul e 56 milhões de toneladas no Norte e Nordeste do País na safra 2014/2015.
De acordo com as estimativas da Datagro, o Brasil deve produzir 35,75 milhões de toneladas de açúcar no atual período, montante 4,9% menor que o registrado na safra 2013/2014, dos quais 32,3 milhões de toneladas no Centro-Sul e 3,45 milhões de toneladas no Norte/Nordeste. A produção de etanol deve cair ainda mais que o açúcar na atual safra: somará 25,29 bilhões de litros, volume 8% inferior ao visto no período anterior. Desse volume, 23,39 bilhões de litros deverão vir do Centro-Sul do Brasil e 1,9 bilhão de litros do Norte/Nordeste.
O índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), que mede a quantidade de açúcares na cana, deve ficar em 131,09 kg por tonelada de cana no Brasil na atual safra, sendo que o indicador deve somar 131,90 kg/ton no Centro-Sul e 123 kg/t no Norte/Nordeste.

Gasolina mais barata

A queda da produção de cana, açúcar e etanol no Brasil na safra 2014/2015 é resultado especialmente do clima adverso e da política governamental de preços que favorece o consumo da gasolina. A avaliação foi feita por Nastari. Para o especialista, o setor também sofre com efeitos negativos provocados pela crise econômica e há impacto operacional do aumento da mecanização da cultura no país.
– O Brasil enfrenta um período muito seco. Isso acontece desde agosto não só em São Paulo, mas em boa parte do Centro-Sul do Brasil. Essa seca traz consequências não apenas para a cana-de-açúcar, mas também para outras culturas como o café e a geração hidrelétrica – disse Nastari. Além do clima, Nastari atacou duramente a política de preços do governo brasileiro para o setor energético.
– O Brasil tem uma política pública distorcida de preços que subsidia o preço da gasolina para os consumidores e não para o transporte público. Além disso, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) foi reduzida para zero na gasolina e o Banco Central incentiva a valorização do real, o que estimula a importação do combustível – disse.
O dirigente defendeu que a política de preços adotada pelo governo brasileiro, especialmente pela Petrobras, faz com que o preço da gasolina atualmente no Brasil seja 17,99% menor do que a média nos Estados Unidos. Os preços são aqueles praticados pelas refinarias e foram comparados entre 1º e 11 de julho de 2014, segundo dados apresentados por Nastari. 
Nastari também comentou que a produção brasileira ainda é prejudicada pelos efeitos negativos no setor financeiro desde a crise de 2008 e há impacto operacional do aumento da mecanização em algumas áreas produtoras brasileiras.

Correção de preços

O presidente da Datagro aposta que a política de preços dos combustíveis, especialmente da gasolina, começará a mudar após as eleições presidenciais de outubro.
– Após as eleições presidenciais, esperamos o aumento dos preços da gasolina e início da correção dos valores. Podemos ter a safra 2015/2016 mais orientada para o etanol. Esperamos recuperação dos preços do biocombustível em 2015/2016 – disse.
Confirmado um cenário mais competitivo para o combustível renovável, o especialista prevê retomada da confiança de empresários e investidores.
– Só o fim dos subsídios será capaz de trazer os investimentos de volta. É preciso ter a sensação de que não haverá mais risco de intervenção do governo – reforça.
Nastari comentou, ainda, que é possível observar interesse de investidores, que estariam, apenas, à espera de um sinal positivo para retornar ao Brasil.
– Estamos vendo o capital de risco esperando um sinal de menor interferência estatal para voltar a investir – concluiu.

Estimativa da Copersucar

A Copersucar, maior trading de açúcar e etanol do mundo, reduziu nesta sexta, dia 18, sua estimativa para a safra de cana 2014/2015 no Centro-Sul do Brasil em cinco milhões de toneladas, para 565 milhões de toneladas. A revisão foi feita ao The Wall Street Journal pelo presidente do conselho da companhia, Luis Roberto Pogetti, que não afasta a possibilidade de uma moagem ainda menor. Em 2013/2014, a região processou 596 milhões de toneladas.
A expectativa da empresa é de que sejam produzidas 32 milhões de toneladas de açúcar e 24,6 bilhões de litros de etanol, dos quais 22 milhões de toneladas de açúcar e 1 bilhão de litros de etanol para exportação. Em sua estimativa anterior, a Copersucar projetava produção de 32 milhões de toneladas de açúcar e 25,4 bilhões de litros de etanol.
Pogetti, que participa de evento do setor sucroalcooleiro em Londres, avalia também que o mercado global de açúcar deve registrar um déficit de três milhões de toneladas na safra 2014/15, que se inicia em outubro. Em 2013/2014, o cenário foi de excedente. Para o executivo, o mercado ainda não assimilou todos os efeitos da severa estiagem no Brasil nos meses de janeiro e fevereiro. A seca atingiu em cheio São Paulo, maior Estado produtor do País, justamente no momento de desenvolvimento dos canaviais. O Brasil responde por cerca de 20% de toda a oferta global de açúcar.
Pogetti comentou, ainda, que o Terminal Açucareiro da Copersucar (TAC) em Santos (SP) já retomou a capacidade anualizada de embarque de 4 milhões a 5 milhões de toneladas. A expectativa é de que até o fim do ano o TAC opere novamente com capacidade para movimentar 10 milhões de toneladas ao ano, volume que era registrado antes do incêndio ocorrido em outubro de 2013.


FONTE: Estadão Conteúdo