Uma nova
prática agrícola que está ganhando projeção recentemente é o plantio cruzado de
soja. Em vez de se plantar a soja em linhas paralelas, como ocorre comumente, o
produtor “desenha” no campo com sua semeadora algo semelhante a um tabuleiro de
xadrez. A prática está ganhando fama pelo fato de que na colheita, em vez de se
colher a média de 60 a
70 sacas por hectare como ocorre numa plantação de soja bem conduzida, está
sendo possível colher até 100 sacas/ha.
Já faz algum
tempo que alguns produtores de soja que adotaram essa nova forma de plantio
obtêm sucesso quase que dobrado na colheita. O que está por traz de tudo é que
no plantio cruzado cabem mais plantas por hectare do que no plantio em paralelo
e sem que uma planta sufoque a outra. Esse aumento da quantidade de plantas no
cultivo ocorreu apenas com o surgimento da ideia de plantar em cruzado, pois no
cultivo convencional fica difícil reduzir o espaçamento das linhas de plantio,
já que a regulagem das semeadoras ocorre no máximo até 40 centímetros .
É importante
destacar que o plantio cruzado é apenas uma técnica diferente de se plantar
soja, mas que de maneira nenhuma substitui todos os outros cuidados exigidos na
condução de uma lavoura convencional, ou seja, não existe milagre. Para que
haja sucesso em qualquer tipo de plantio torna-se extremamente necessário saber
do equilíbrio solo-planta, ou seja, saber relacionar o balanço nutricional,
realizar o manejo integrado de pragas e doenças, além de lançar mão de
tecnologias como o plantio direto, fatores estes que permitirão uma melhoria
das partes química, física e biológica do solo e consequentemente o melhor
desenvolvimento da planta.
Além de toda
essa atenção especial que já é de regra para o sistema convencional, deve haver
um manejo diferenciado para o sistema cruzado, de acordo com o fitopatologista
Renato Carrer Filho, coordenador de pesquisa da GVS. Ele afirma que para este
caso, a população de plantas é muito alta, sendo assim tanto o combate à
ferrugem e a utilização de condicionadores do solo que reduzem a quantidade de
patógenos devem ser antecipados. Carrer recomenda ainda o uso de indutores de
resistência e aminoácidos, tanto para o sistema radicular como para o
desenvolvimento reprodutivo e vegetativo.
Vale lembrar
que o plantio cruzado é recente no Brasil, sendo novidade para muitos
produtores e até mesmo para muitos pesquisadores, ou seja, existem muitas
dúvidas a serem respondidas. A produtividade é visivelmente maior, mas só quem
produz sabe o custo de produção, que nesse sistema praticamente dobra também,
revelando uma margem de lucro semelhante ao sistema convencional. Além disso,
como já dito anteriormente, não existe mágica, o que existe é pesquisa e
somente ela é capaz de demonstrar a viabilidade técnica e econômica de diferentes
tecnologias para o avanço da agricultura nacional.
No último Congresso de soja, realizado em Cuiabá-MT, pesquisadores da Embrapa Soja e da Universidade do Oeste de Santa Catarina apresentaram um trabalho intitulado "Avaliação do sistema de plantio cruzado da soja - cultivar de hábito determinado" e observaram que o crescimento e a produtividade não foram afetados pelo sistema de plantio cruzado e que o espaçamento de 0,60 m leva a uma maior produtividade deste sistema, em relação ao espaçamento de 0,40 m. Para ler o artigo na íntegra CLIQUE AQUI.
FONTE: Estadão/Pet AgroBrasil/Brasil Agrícola