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PARTICIPE DO ESPAÇO “FOTO DA SEMANA” NO BRASIL AGRÍCOLA

O Brasil Agrícola inaugura a partir desse mês de setembro de 2015 o espaço “Foto da Semana” e convida você para participar e interagir conosco. Toda semana será publicada em nossa fanpage www.facebook.com/BrasilAgricola, uma fotografia encaminhada pelos leitores do nosso site ou capturada pela nossa equipe. Encaminhe sua foto para nossa equipe na Caixa de Mensagem do Facebook ou por meio do brasilagricola@mail.com, pois, ela poderá ser publicada nas próximas semanas. As fotografias serão publicadas originalmente conforme forem encaminhadas para o Brasil Agrícola, sem cortes ou edições. É importante que o autor da fotografia encaminhe no corpo da mensagem o nome completo, uma breve descrição do que a imagem representa, local onde realizou o registro e nome da cidade-estado para que sejam dados os devidos créditos e informações da imagem. A primeira fotografia desse novo espaço será este lindo Pôr do sol registrado pelo nosso editor técnico Josimar Rodrigues Oliveira, no município de Couto de Magalhães de Minas, região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Participe, envie sua fotografia!

MAIS DA METADE DAS MORTES POR RAIOS ACONTECEM NO CAMPO

O Brasil é o país com a maior incidência de raios no mundo, chegando a 50 milhões por ano. Isso acontece, porque o território nacional é o maior dentro da zona tropical do planeta. A região é naturalmente mais quente e por isso favorável à formação de tempestades. Segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um quarto das mortes por raios ocorreram na zona rural, na atividade agropecuária. No total, entre 2000 e 2013, 1.672 pessoas perderam a vida no país, 61% no campo.
O coordenador do Elat, Osmar Pinto Junior, diz que a tendência nas próximas décadas é de maior incidência de raios em áreas rurais.
– A queda de raios tem sido diferente a cada ano. Um dos motivos é o aquecimento do planeta na zona tropical. No Brasil, ainda é pequeno, cerca de 0,5°C, não houve aquecimento acentuado, como no hemisfério norte. Então, isso faz com que o efeito seja pequeno e imperceptível diante de variações anuais bruscas. A tendência para zona rural é que nas próximas décadas o Brasil tenha mais presença de raios – explica.
Para 2015, o ELAT prevê aumento na incidência de raios nas regiões Nordeste, Norte e Sul do país. Na região Sul, a elevação no número de descargas deverá ocorrer especialmente no final do verão.
– As primeiras semanas de 2015 apresentaram mais raios, mas isso, porque o verão de 2014 não teve tanta chuva e apresentou um nível baixo de casos. Então, na realidade, o ano está começando dentro da normalidade. A previsão é de que em 2015, as regiões Centro-Oeste e Sudeste se mantenham regulares. Já as regiões Norte, Nordeste e Sul devem apresentar maior incidência do fenômeno, basicamente pelo comportamento dos oceanos Atlântico e Pacífico, que estão com uma configuração que favorece a formação de tempestades – explica.

Danos na Pecuária

O Inpe estima que até duas mil cabeças de gado tenham sido mortas por raios, anualmente, no país. Exemplos de casos ocorridos em 2013 servem de alerta: em Tunápolis, em Santa Catarina, produtores perderam até R$ 60 mil com a morte de 36 animais; e um fazendeiro de São José dos Campos, em São Paulo, registrou baixa de R$ 20 mil depois de perder 23 bovinos.
– Quando ocorre chuva muito forte, o gado costuma se agrupar em baixo de árvores, ou seja, é alvo fácil para os raios. O ideal seria manter os animais em uma área sem árvores com proteção de cerca de madeira, ou em um local com para-raios, o que também não é comum em fazendas – diz o pecuarista Benedito Vieira Pereira.

Mapa dos raios no Brasil:


Consequência dos raios em humanos

A corrente elétrica do raio pode causar sérias queimaduras e outros danos ao coração, pulmões, sistema nervoso central e outras partes do corpo, através de aquecimento e uma variedade de reações eletroquímicas. A extensão dos danos depende da intensidade da corrente, as partes do corpo afetadas, as condições físicas da vítima e as condições específicas do incidente.
Cerca de 20% a 30% das vítimas de raios morrem, a maioria delas por parada cardíaca e respiratória; e cerca de 70% dos sobreviventes sofrem por um longo tempo de sérias sequelas psicológicas e orgânicas. As mais comuns são a diminuição ou perda de memória, menor capacidade de concentração e distúrbios do sono.

Como se proteger

Evite estar na rua durante tempestades. Se estiver dentro de casa, evite também usar telefone, a não ser que seja sem fio; não fique próximo a tomadas e canos, janelas e portas metálicas; não toque em qualquer equipamento ligado à rede elétrica. Se estiver na rua, não segure objetos metálicos longos, tais como varas de pesca, tripés e tacos de golfe. Não nade e nem fique em grupos.
Procure abrigo em veículos como carros e ônibus; moradias ou prédios, de preferência que possuam proteção contra raios; abrigos subterrâneos, tais como metrôs ou túneis; grandes construções com estruturas metálicas; barcos ou navios metálicos fechados. Evite os seguintes lugares, que oferecem pouca ou nenhuma proteção contra raios: pequenas construções não protegidas, como celeiros, tendas ou barracos; veículos sem capota, como tratores, motocicletas ou bicicletas; estacionar próximo a árvores ou linhas de energia elétrica.
Se possível, evite também certos locais que são extremamente perigosos durante uma tempestade, como topos de morros ou cordilheiras; topos de prédios; áreas abertas, como campos de futebol ou golfe; estacionamentos abertos e quadras de tênis; proximidades de cercas de arame, varais metálicos, linhas aéreas, trilhos e árvores isoladas; estruturas altas, como torres, linhas telefônicas e linhas de energia elétrica.


FONTE: Canal Rural

VOCÊ SABE QUAL FOI A MAIOR CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NO BRASIL?

Houve um tempo em que o Brasil era um grande importador de alimentos. O país importava quase 100% de trigo, 50% de leite e um terço da carne. Nesse passado não tão distante havia uma aberração social conhecida pelo nome de "fila do leite" em que os brasileiros formavam filas para adquirir leite de qualidade duvidosa. Há alguns anos, o cardápio dominical das famílias brasileiras era constituído de frango como prato principal ou a "mistura". Frango durante os dias da semana era algo acessível somente àquelas de maior poder aquisitivo.
Esse quadro era motivo de inquietação do então estudante de agronomia e, posteriormente professor, Alysson Paulinelli. Ele não concordava com isso e propôs também a outro estudante de agronomia, de nome Alfredo Scheid Lopes, que fosse aos Estados Unidos estudar a ciência dos solos e desenvolvesse tecnologias que se aplicasse às condições tropicais.
Alfredão, como é mais conhecido, foi cursar mestrado na North Carolina State University desenvolvendo suas pesquisas sobre caracterização dos solos dos cerrados brasileiros dando origem a tese de mestrado (assim chamada naquele tempo) "A Survey of the Fertility Status of Surface Soils Under Cerrado Vegetation in Brazil". Foi assim, a gênese de tudo que o agronegócio brasileiro representa hoje. Esse foi o pontapé inicial para que se desenvolvesse a agricultura no Brasil central.
Elucidado, então, a necessidade da correção da fertilidade dos solos sob cerrado, agricultores paranaenses e gaúchos, principalmente, (que hoje muitos "miolos moles" insistem em chamar de invasores) foram instigados naquele tempo pelo governo a ocupar o cerrado brasileiro com objetivo de produzir alimentos para essa grande nação.  O final feliz da história todos nós conhecemos. 
E onde está a contribuição social nisso tudo? O americano Norman Bourlaug, ganhador do prêmio Nobel da Paz, se referiu ao que ocorreu na região do cerrado como a maior revolução verde da história da humanidade. O Brasil de importador de alimentos passou a grande exportador mundial. Nos últimos 30 anos, com a evolução das técnicas de produção e o aumento da produtividade da agricultura brasileira, os produtos da cesta básica reduziram a um terço do que se pagava (ver gráfico acima).
Gastando menos com alimentação, sobrou mais dinheiro para o brasileiro adquirir outros bens. Sem dúvida foi a maior transferência de renda que houve no país, muito mais que qualquer projeto assistencialista. A conquista agrícola do cerrado foi o grande projeto de nação conhecido até hoje no país.
Mas isso o seu e o meu professor de geografia ou história não nos ensinou. O leitor pode estar se questionando: para que isso tudo acontecesse precisou desmatar muitas áreas verdes? Não necessariamente. Se a produtividade da agricultura brasileira fosse a mesma de 40 anos atrás precisaríamos de uma área em torno de 110 milhões de hectares. Ao contrário, o ganho em produtividade nas últimas décadas com a adoção de novas tecnologias de produção economizou mais de 68 milhões de hectares.
O progresso do nosso país foi construído ao longo das décadas pelas mãos dos grandes brasileiros, empreendedores do passado e do presente, cada qual na sua área. Os produtores rurais, os empresários, os engenheiros, os professores e tantos outros. E não por políticos e seus partidos.  
Portanto, o Brasil que é conhecido como o coração e o celeiro do mundo. Que é a pátria do evangelho, tem a grande tarefa de assegurar a paz mundial através do fornecimento de alimento para a humanidade. 

Leitura adicional: 


LOPES, A. S.; COX, F. R. A survey of the fertility status of surface soils under cerrado vegetation of Brazil. Soil Science Society of America Journal, 41:752-757, 1977

LOPES, A.S.; GUILHERME, L.R.G. FERTILIDADE DO SOLO E PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA. Diponível em: < http://people.ufpr.br/~nutricaodeplantas/fertisolo.pdf >. 2014




   

ENTENDA COMO OS FENÔMENOS EL NIÑO E LA NIÑA AFETAM A AGRICULTURA BRASILEIRA


         Antes de entender completamente quais serão os efeitos deste El Niño de 2014, é importante esclarecer quais são os principais impactos que estes fenômenos de escala global têm em todas as regiões do Brasil.
      O El Niño é o aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico Equatorial. Já o La Niña é o fenômeno oposto: o resfriamento das mesmas águas. Até aqui, é simples. Mas determinar os efeitos destes fenômenos sobre as diferentes regiões produtoras do país é um pouco mais complicado.
     Todo o planeta sente os efeitos dessas anomalias, mas a região sul da América do Sul, que inclui o sul do Brasil, a Argentina, o Chile, o Uruguai e o Paraguai, é uma das mais afetadas por eventos de El Niño e La Niña. Dependendo do fenômeno, estas áreas apresentam forte variabilidade de precipitação interanual, ou seja, variação tanto de volume quanto de distribuição das chuvas ao longo do ano.
       Os produtores do sul do Brasil sabem bem disso já que contam com a experiência de que, em anos de El Niño, há maior ocorrência de safras fartas, porque a chuva é abundante. Mas em anos de La Niña, não se pode pensar que o efeito é o oposto. O que muda de um fenômeno para outro é a qualidade, a quantidade e a distribuição das chuvas sobre o Brasil.

Efeitos sobre o Brasil

        Naturalmente, pelo próprio tamanho do nosso país, há uma sazonalidade específica para cada região do Brasil e existem outros sistemas meteorológicos locais que atuam independentes dos fenômenos de escala global como o El Niño e o La Niña. O nosso país abriga diferentes tipos de clima: equatorial, tropical, semiárido, subtropical, tropical litorâneo e de altitude.
Quando há o aquecimento ou o resfriamento dos oceanos, há uma mudança nesta sazonalidade natural por conta do aquecimento e do resfriamento da atmosfera. Esta alteração muda a distribuição das chuvas e também as chamadas “correntes de jato”.
      – A mudança do posicionamento da corrente de jato no Brasil é que posiciona os sistemas meteorológicos – explica a técnica em meteorologia da Somar Patrícia Vieira.
      Com o El Niño, a atmosfera está mais aquecida e o calor é combustível para as chuvas de verão que passam a ocorrer na forma de pancadas. Para o produtor, nestes anos, há maiores janelas de tempo seco para os trabalhos de campo. Além disso, as correntes polares ficam mais fracas e trazem menos riscos de geadas durante o inverno.
       Em anos de El Niño, a corrente de jato vai para a região Sul, mantendo as frentes frias represadas por lá e deixando as chuvas abundantes nos meses de inverno e de primavera. Já no Nordeste, a condição é de secas mais severas. No Sudeste e no Centro-Oeste não há padrão característico na mudança nas chuvas, mas há um aumento das temperaturas médias, inclusive no inverno. No Norte do Brasil, há uma diminuição das chuvas e aumento dos focos de incêndio.
       Em anos de La Niña, com a atmosfera mais fria, a chuva tem tendência mais contínua, em vez de cair na forma de pancadas. As frentes frias são mais oceânicas e acabam levando mais chuvas para as regiões próximas à costa do Sul e do Sudeste. A região Sul fica com o tempo mais seco, diferente do que acontece em anos de El Niño, quando as frentes frias tendem a ser continentais.
Já para as regiões Norte e Nordeste, há um aumento de precipitação e da vazão dos rios. Em relação à temperatura, faz mais frio.
        – Com o fenômeno La Niña há mais ocorrência de granizo, o que prejudica muito o setor de hortifruti, e as massas de ar de origem polar são mais intensas e frequentes – explica Patrícia Vieira.
      Além de todos estes fatores, não podemos esquecer que não só é a temperatura do oceano Pacífico que determina a intensidade dos episódios de chuva. A temperatura do oceano Atlântico também interfere no clima, contribuindo ou não para a atuação dos sistemas meteorológicos locais.

Eventos mais fortes

      Há relatos de registros de El Niño desde a época do descobrimento das Américas, com depoimentos das mudanças de ventos durante as navegações. De acordo com o Centro de Pesquisas Espaciais e Estudos Climáticos (CPTec), eventos de El Niño e La Niña têm uma tendência a se alternarem a cada três a sete anos. Porém, de um evento ao seguinte, o intervalo pode mudar de 1 a 10 anos. As intensidades dos eventos variam bastante de caso a caso. O El Niño mais intenso já observado mar ocorreu nos biênios de 1982/1983 e 1997/1998.
        Em geral, episódios La Niña também têm frequência de 2 a 7 anos. Mas, na última década, eles têm ocorrido em menor quantidade que o El Niño. Além do mais, os episódios La Niña têm períodos de aproximadamente 9 a 12 meses, e somente alguns episódios persistem por mais que 2 anos. Outro ponto interessante é que os valores das anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) em anos de La Niña têm desvios menores que em anos de El Niño.
      Enquanto observam-se anomalias de até 4,5ºC acima da média em alguns anos de El Niño, em anos de La Niña as maiores anomalias observadas não chegam a 4ºC abaixo da média. Episódios mais fortes do La Niña ocorreram nos anos de 1988/1989, em 1995/1996 e em 1998/1999.
     Nas últimas décadas tivemos, inclusive, episódios dos dois fenômenos. O destaque vai para o El Niño Modoki de 2004/2005. A diferença de um El Niño Modoki é que o aquecimento do oceano não acontece de forma simultânea e completa, como em episódios do El Niño clássico, ou Canônico como também é chamado.
       Para exemplificar as diferenças, basta lembrar alguns episódios do passado. Em 2009/2010 tivemos um El Niño clássico que, por ser mais intenso, garantiu chuvas regulares e acima da média durante o período de duração do fenômeno sobre o Sul do Brasil, e falta de chuva no Nordeste – as duas regiões que apresentam maior correlação com o fenômeno.
       Já em 2004/2005, o país foi atingido pelo El Niño Modoki, agravado pelas águas mais frias do oceano Atlântico. Essa configuração trouxe chuvas irregulares para a região Sul a partir da primavera. O verão de 2005 foi regido por uma forte estiagem, principalmente os meses de fevereiro e março, frustrando a expectativa dos produtores e causando a maior quebra de safra da história.

O El Niño deste ano

       Para este ano, o El Niño em curso tem como efeito mais evidente a redução do frio extremo no Centro-Sul do Brasil durante o inverno. Este fator combinado, às águas quentes do oceano Atlântico próximo à costa do Sul do Brasil, retardou a chegada do frio no outono, beneficiando diretamente as lavouras de milho segunda safra do Paraná e de Mato Grosso do Sul, que têm na questão da temperatura o seu maior risco.
       A redução do frio também vai beneficiar as lavouras de trigo do Paraná, que no ano passado foram muito castigadas com as geadas. No entanto, o risco associado ao El Niño está na fase final desta lavoura em função do aumento das chuvas na hora da colheita. O risco é ainda maior para as lavouras do Rio Grande do Sul que plantam mais tarde e podem ser prejudicadas com o aumento de chuvas na primavera.

  
       Para o Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, a presença do El Niño nesta época do ano também reduz o risco de frio. Uma das características é que o período seco não será tão extremo e longo, o que beneficia setores como cana-de-açúcar, café, pastagens e produção de carne e leite. Fica a ressalva apenas que, para estes setores, em função de alguns episódios de chuva, podem ter alguns problemas operacionais e de manejo.
      Para as regiões Norte e Nordeste do Brasil, o El Niño não tem uma influência direta nesta época do ano. O que vale destacar em relação à condição do El Niño Modoki está relacionado com o verão: não há garantia de chuvas regulares para a safra de verão do Sul. Mesmo com o El Niño, esta região pode enfrentar períodos de estiagem, que é o principal risco para suas lavouras.
Para as lavouras do Sudeste e do Centro-Oeste as condições médias de clima devem prevalecer. Para o Nordeste do Brasil, o El Niño fraco e de curta duração passa a ser uma boa notícia, já que o fenômeno não provocará a redução de chuvas entre fevereiro e maio, condição que acontece em períodos com El Niño fortes.

A origem do nome

      A palavra El Niño é derivada do espanhol, e refere-se à presença de águas quentes que todos os anos aparecem na costa norte de Peru na época de Natal. Os pescadores do Peru e Equador chamaram a esta presença de águas mais quentes de Corriente de El Niño, em uma referência ao Menino Jesus (Niño Jesus).
       Ao imaginar o oposto do fenômeno, o resfriamento das águas, nada melhor para os especialistas no assunto darem a nomenclatura feminina para o evento e assim surgiu o nome La Niña. Afinal se existe o guri, tem que existir a guria. Mas o fenômeno La Niña já teve outros codinomes menos usados como El Viejo, (O Velho), ou anti-El Niño. No entanto, como El Niño se refere ao menino Jesus, anti-El Niño é um nome que nao pegou bem e é pouco utilizado.

FONTE: Pryscilla Paiva - Canal Rural

PREÇO DO TOMATE VIRA PRINCIPAL TEMA DE CHARGES E PIADAS EM TODO O PAÍS

           O preço do tomate tem sido o principal alvo da imprensa brasileira devido a alta dos preços, mal sabem estes jornalistas o quanto é difícil produzir um quilo de tomate aos padrões que a exigente "Dona de Casa" deseja, livre de pragas e doenças, com aquele aspecto avermelhado perfeito. Confira as principais charges e piadas publicadas recentemente nos jornais, revistas e redes sociais de todo o Brasil.


























MAURÍCIO DE SOUZA CRIA NOVA REVISTA EM QUADRINHOS ONDE CHICO BENTO SERÁ ALUNO DE AGRONOMIA



Típico representante do campo, Chico Bento, o caipira das histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa, manterá suas raízes na nova fase do personagem, que será publicada a partir de maio. Em Chico Bento Moço, como se chamará a revistinha, ele terá entre 17 e 18 anos e um objetivo: cursar agronomia. E para criar as histórias do personagem no início da fase adulta, o cartunista pediu a ajuda de estudantes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), unidade da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba (SP).
Na última sexta-feira (22), oito alunos e o coordenador do curso de agronomia da instituição participaram de um encontro com o desenhista no estúdio dele em São Paulo. Entre pranchas, folhas de papel e ideias de roteiro para as novas histórias, Mauricio de Souza ouviu dos universitários de Piracicaba relatos de como é frequentar o curso e viver em uma cidade do interior paulista que, apesar do desenvolvimento industrial, ainda tem parte da economia baseada no campo.
"O Chico Bento cresceu como toda a turma e não dá mais para continuar vivendo na roça. No entanto, quando ele decide prestar vestibular, suas raízes do campo falam mais alto e ele ingressará em um curso de agronomia", disse Mauricio de Sousa à assessoria de imprensa da Esalq. A revista com o personagem jovem deve chegar às bancas em maio.

Por dentro da rotina

De acordo com Marina Sousa, filha e sucessora artística do desenhista, o encontro serviu para conhecer a vida de um aluno universitário do interior paulista. "Quando decidimos que o Chico estudaria agronomia, não conhecíamos nada sobre o curso nem sobre o dia-dia dos estudantes. Então precisávamos conversar com alunos do primeiro até o último ano para conhecer a realidade, saber sobre as matérias e até mesmo como é morar em uma república estudantil", contou Marina.

Visita à Esalq

O cartunista manifestou interesse em conhecer a Esalq e reforçou a importância do curso. "Essa é uma das profissões responsáveis pelo sucesso do Brasil como uma das potências econômicas emergentes e o Chico Bento, mesmo continuando a ser um personagem divertido, terá que contribuir, como esses alunos, para a construção de um futuro mais limpo", disse Mauricio de Sousa.
"Os alunos apontaram os aspectos importantes que um estudante de agronomia tem atualmente, como comprometimento com a sustentabilidade", afirmou o coordenador do curso de agronomia da Esalq, José Otávio Machado Menten. Até o início deste ano, o curso formou 10.892 engenheiros agrônomos. A Esalq completará 106 anos de fundação em maio.

FONTE: G1 Piracicaba

PESQUISADORES DESENVOLVEM TÉCNICA QUE UTILIZA VESPAS PARA COMBATER O GREENING NA CITRICULTURA


Cristiane Viegas
Piracicaba-SP

Em meio à crise que atingiu a citricultura no ano passado, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP) desenvolve uma técnica autossustentável para combater uma das piores pragas dos últimos tempos, o greening. A doença, que apareceu pela primeira vez no Brasil em 2004, já acabou com milhões de plantas cítricas no Estado de São Paulo. Os pesquisadores estudam uma forma mais natural de combate a praga.
– Sem dúvida, uma das buscas que nós fazemos já há algum tempo é realmente substituir o método de agroquímicos por produtos biológicos e nós trabalhamos aqui com inimigos naturais, insetos que atacam insetos e que acabam por destruí-los evitando assim que os prejuízos sejam causados – explica o agrônomo José Roberto Parra, coordenador da pesquisa.
No caso do controle do greening, as vespas são as principais aliadas no trabalho de eliminação das pragas. Elas são criadas nos laboratórios, assim como a bactéria causadora da doença. Os insetos são desenvolvidos em salas separadas, e o processo que deve acontecer nos pomares é imitado nas estufas.
Logo após nascer, a vespa vai para as plantações e lá vive por 20 dias. Neste período, ela vai parasitar diretamente na praga. Ao se reproduzir, ataca a doença das plantas.
O nome científico dado ao greening é psilideo. A tese de doutorado do engenheiro agrônomo Alexandre José Ferreira Diniz é em cima da pesquisa.
– Uma vez ela espalhada no pomar ela vai procurar as formas jovens das ninfas do psilídio, em cada uma delas, ela vai colocar um ovo. Do ovo, vai sair uma larva, que vai passar a se alimentar do corpo da ninfa da praga até o momento que essa ninfa vai morrer impedindo que ela se tornasse um novo psílideo e continuasse causando danos no pomar. Ela vai se desenvolver no corpo da ninfa, e vai nascer uma nova vespa, que já vai migrar pelo pomar. Desse modo, inicia um processo que independe da nossa atuação – conta o doutorando.
O foco é medir o rendimento da proliferação de vespas sobre a praga. De acordo com o pesquisador, o método está sendo aplicado em várias regiões do Estado de São Paulo.
– A gente tem feito em liberação de sete áreas de SP. O que a gente está encontrando é um parasitismo, uma redução de 60%, ou em alguns casos até de 90% do inimigo natural. O nosso objetivo é aumentar a popularização das vespas no pomar. Quanto maior, mais rápido vai acontecer. As vespas só se alimentam das ninfas, e em momento algum causa dano para o pomar – salienta.
O próximo passo, segundo o coordenador da pesquisa, é a comercialização dos agentes de controle biológico.
– É fundamental que haja uma série de empresas que possam comercializar esses agentes, dando instruções adequadas – diz Parra.

FONTE: Canal Rural

PRODUTOR OU CONSUMIDOR?


André Meloni Nassar
Diretor do ICONE Brasil

O governo Dilma Rousseff tem sido acusado de protecionista. Medidas indicam que é difícil contestar essa acusação, sobretudo por conta das exigências de conteúdo nacional impostas a alguns setores, do aumento de impostos incidentes sobre alguns produtos importados, sem equivalente aumento para os concorrentes domésticos, e de elevações explícitas nas alíquotas de importação.
Outras medidas também ligadas a comércio exterior, tais como o uso mais recorrente de instrumentos de defesa comercial, medidas antidumping e reduções de custos tributários nas exportações, não justificam o protecionismo brasileiro. Todas são práticas utilizadas em comércio internacional e são justificadas no arcabouço legal da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Exigências de conteúdo nacional, imposição de peso tributário menos favorável sobre o produto importado e aumento de tarifas de importação são, por sua vez, exemplos de livro-texto de comércio internacional. Ou seja, são antigas - e fora de moda - práticas de proteção explícita dos produtores locais. Mesmo diante de um argumento puramente legalista de que tais práticas podem estar de acordo com as regras da OMC, a eficiência econômica dessas práticas é, no mínimo, discutível, para não dizer inexistente.
Assim, mais que reclamar que o governo é protecionista, o que me parece estar faltando é uma discussão mais aprofundada das chances de essas medidas gerarem os resultados esperados pelo governo, assumindo que elas não são apenas fruto de lobby e da busca pelas rendas exclusivas dos setores beneficiados.
Não tenho informações privilegiadas sobre as motivações do governo federal para adotar tais medidas, mas posso fazer algumas inferências. Uma primeira justificativa seria culpar o inimigo externo. Como o mundo desenvolvido está em crise e grande parte da produção industrial do mundo cresceu ou foi transferida para os países asiáticos, sobretudo para a China, essa justificativa se baseia na premissa de que existe um excesso de oferta de produtos industriais no mundo, o que forçou os preços para baixo, numa velocidade muito maior do que o ganho de produtividade e escala na indústria brasileira. Sendo isso verdade, setores da indústria nacional precisariam de proteção para poderem se ajustar à nova realidade de preços relativos.
É um sedutor argumento, mas não se sustenta diante das medidas adotadas. O Brasil é um país pequeno no comércio internacional, ou seja, importando muito ou pouco, não mexemos nos preços internacionais. Se não há perspectiva para os preços internacionais voltarem a subir, impedir a competição significa postergar o processo de ajuste - que vai ocorrer de qualquer forma - da indústria local.
Uma segunda justificativa recairia sobre o custo Brasil. Como as empresas localizadas no País enfrentam custos mais altos do que os grandes exportadores de produtos industriais, sobretudo o tributário, seria necessário utilizar as chamadas medidas de fronteira para equalizar a competição. Não há dúvida de que o custo Brasil retira competitividade das empresas, mas não houve nenhum aumento significativo dele para justificar as três medidas tomadas recentemente.
A terceira razão que poderia ser evocada está relacionada com argumento que farei no final deste artigo. Quando estávamos no auge das negociações com a União Europeia, em 2004, foi desenvolvido no Brasil um conceito amplamente utilizado para justificar menos abertura do mercado brasileiro: a chamada cláusula da indústria nascente. A ideia era que alguns setores industriais brasileiros já eram internacionalizados, mas ainda não tinham escala para competir em pé de igualdade internacional e, por isso, uma proteção temporária seria necessária. Tal justificativa, hoje, também não se aplica, porque o nosso país tem um dos maiores mercados internos do mundo e que se provou capaz de crescer com vigor nos anos recentes. Assim, só não ganhou escala quem não quis investir.
A preocupação com essas medidas, fruto da minha dificuldade em encontrar razões objetivas para sua adoção, ganha nova dimensão quando olhamos o lado exportador brasileiro. Tais medidas, provavelmente, jogam uma pá de cal sobre qualquer esperança de o Brasil tentar se engajar novamente em negociações bilaterais ou regionais de comércio. Qual vai ser a margem de manobra do País para voltar a negociar com o Canadá e a União Europeia, como sinalizou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, caso ambos não aceitem a vigência dessas medidas no comércio bilateral? Parece-me que tais medidas comprovam que o interesse do Brasil nas negociações comerciais é ainda menor do que foi no passado.
            Além disso, negociações comerciais geram ganhos para os setores exportadores. E se os ganhos para esses setores forem maiores do que os ganhos para os setores protegidos? Será que o governo se fez essa pergunta? Em geral, setor exportador é dinâmico e setor protegido cresce pouco. Qual o leitor escolheria?
Uma forma simples de definir sociedades capitalistas é que elas se dividem em dois tipos de agentes: produtores e consumidores. Ambos, obviamente, se confundem, porque aqueles que trabalham na produção são também consumidores. No entanto, do ponto de vista da estrutura do mercado, produtores são poucos e consumidores, muitos. Assim, quando uma política beneficia apenas o produtor, que é o caso das três medidas protecionistas citadas, a eficiência econômica delas está comprometida porque, diante de preços mais altos, parte da renda do consumidor vai para o produtor. Tal transferência ainda faria sentido se houvesse justificativas que garantissem que a eficiência econômica seria atingida em algum momento. Não é isso que enxergo nas medidas adotadas. Para mim, elas são basicamente uma forma de concentrar renda nos setores agraciados, sem nenhuma garantia de que o restante da sociedade também será beneficiado.

FONTE: Instituto de estudos do comércio e negociações internacionais (ICONE)

CÓDIGO GENÉTICO DA CEVADA É DESVENDADO


Pesquisas arqueológicas indicam que a cevada é domesticada pelo homem há pelo menos 10 mil anos. Apesar de fazer tanto tempo, essa companheira milenar sempre foi um mistério - a gente simplesmente não sabia com quem estava andando. Sim, o malte dela faz um líquido gostoso, mas beber cerveja é muito pouco para os cientistas. Em outubro passado, foi publicado na Nature um estudo com o mapeamento do DNA da cevada. Entenda o que isso pode mudar na sua sagrada cervejinha.
Para desbravar as entranhas do código da cevada, até um consórcio foi criado, o International Barley Genome Sequencing Consortium. Formado por pesquisadores e entidades do mundo inteiro, o que foi publicado até agora pelo projeto é apenas o primeiro esboço, mas foi o suficiente pra repercutir pelo mundo. A primeira coisa que chama a atenção é o fato dessa sementinha carregar um genoma 30% mais complexo que o nosso – boa parte do código é feita de sequências repetidas, o que dificulta um pouco o trabalho dos cientistas. Dos 30.400 genes que provavelmente compõem o código completo, 24.154 já foram devidamente mapeados. As 6.246 letras restantes são conhecidas, mas estão embaralhadas.
Quando o estudo saiu, a mídia, ávida por manchetes fáceis, frisou o fato de que ele iria revolucionar a cerveja. Esse é um caminho possível (em um prazo bem longo), mas os desdobramentos da pesquisa podem ir além. A ideia é tornar a semente mais resistente à pragas e doenças, aumentar a quantidade de fibras da cevada, e, pra felicidade dos boêmios, fazer um ajuste aqui outro ali para deixá-la ainda mais apropriada para o consumo humano em forma de cerveja.
Além disso, o consórcio diz que nossa relação com outras plantas de primeira necessidade também pode melhorar com o mapeamento. O próprio trigo, por exemplo, é bem mais complexo, mas, por fazer parte da mesma tribo - a Triticeae - tem muitas características parecidas com a cevada e poderá se beneficiar dos avanços que a descoberta de seu código genético fatalmente irá trazer.

FONTE: Revista Galileu

GUARANIS-KAIOWÁS PEDEM AJUDA DO MINISTÉRIO PÚBLICO NA DEMARCAÇÃO DE TERRAS NO MATO GROSSO DO SUL


Um grupo de índios da etnia Guarani Kaiowá, de Mato Grosso do Sul, esteve reunido nessa segunda, dia 29, em Brasília com representantes da Procuradoria-Geral da República. Eles pedem a ajuda do Ministério Público para reverter uma decisão da Justiça, que determinou a retirada de 170 indígenas de uma fazenda no município de Iguatemi, a 466 quilômetros de Campo Grande. Os índios alegam ter direito a estar no local. A área está ocupada há 11 meses.
Durante a reunião que durou mais de duas horas, os indígenas entregaram um documento relatando a intranquilidade na região. A Justiça Federal determinou que a reintegração de posse concedida ao fazendeiro aconteça até novembro. O Ministério Público recorreu ao Tribunal Regional Federal da Terceira Região pedindo a permanência dos indígenas até que a Funai conclua estudos antropológicos das terras.
– Há um grupo de trabalho da Funai tentando estabelecer os limites desse território. Nós vamos cobrar agilidade. Já há ações judiciais a respeito disso, há termo de ajustamento de conduta – disse a vice-procuradora-geral da República, Déborah Duprat.
O representante dos indígenas mostrou a dificuldade de acesso à região. Para chegar à área ocupada é necessário atravessar um rio de 50 metros de largura e dois de profundidade. Eles ocupam dois hectares da propriedade que possui um total de 762 hectares e só foram para lá porque tiveram o acampamento que viviam à beira da estrada destruído por pistoleiros. A situação se agravou na última semana.
– O Estado hoje que não respeita o nosso direito. O Estado não considera que nós somos cidadãos, não somos ser humano. O que aconteceu agora recentemente, de sexta para cá, é um suicídio. Na quinta, teve o estupro na aldeia – contou o líder indígena Otoniel Nhanderu.
– Preocupa especialmente em face do histórico de suicídios dessa comunidade. Nos últimos 10 anos, 555 indígenas se suicidaram. Então é possível que, em um cenário de estresse, elas eventualmente sejam estimuladas ou levadas a cometer suicídio. Essa é uma possibilidade – afirma o procurador da República em Mato Grosso do Sul, Marco Antônio Delfino.
Nesta terça, dia 30, os índios se reúnem com a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, para pedir proteção policial. Eles também prometem recorrer a cortes internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA).

FONTE: Canal Rural

GOOGLE DRIVE: O QUE É? COMO USAR?


José Antônio Ramalho


O Google Drive é um serviço de armazenamento na nuvem que oferece 5GB de espaço em sua versão gratuita para todos os usuários cadastrados em algum serviço do Google. Se você tem um endereço de e-mail do Gmail ou se usa outro produto que requer nome de usuário e senha, já está habilitado a usar esse serviço de drive virtual e sincronização de dados. Resumidamente, o serviço cria uma pasta no seu micro e tudo o que você colocar nela será copiado para o drive virtual. Se você já usa o Google Docs, o drive virtual incorpora seus arquivos automaticamente.
            Para usar esse serviço, faça o seguinte: entre na página do Google e informe seu nome de usuário e senha. Clique no item Disco na barra de opções que aparece no alto da tela. Se aparecer uma janela com o link Try Google Drive Now, clique sobre ele. Se você já usava o Google Docs, uma tela com seus arquivos armazenados aparecerá. Você verá que existe um novo ícone chamado My Drive e um botão Create no lado esquerdo superior da tela.
            Você deve baixar um programa cliente para seu PC para fazer a sincronização automática dos seus arquivos. Para tal, clique no botão “Download Google Drive for PC”. Confirme os termos do serviço clicando em “Accept and install”. Baixe e execute o programa de instalação.
            Quando terminar, uma tela pede o seu e-mail e senha do Google. Informe-as e clique em Login. Uma tela de saudação é exibida dizendo que será criada uma pasta especial no seu computador e que os arquivos contidos nela estarão disponíveis para todos os seus dispositivos. Clique no botão Next.
            Você pode agora iniciar a sincronização, ou seja, os arquivos que você eventualmente tenha criado no Google Docs serão copiados para essa pasta, assim como os arquivos que você depositar nela serão enviados para o Google Drive.
            Como padrão, a pasta criada se chama Google Drive e fica abaixo do seu nome de usuário do Windows. Por exemplo, no meu caso se chama C:\users\nome\Googledrive. Se você quiser mudar a localização dessa pasta, clique no botão Advanced Setup. Na tela seguinte, clique no botão Change no alto da tela e informe o novo local da pasta. Se quiser manter a pasta atual, simplesmente clique no botão Start Sync.
Você também pode enviar dados para o Google Drive a partir de qualquer micro. Basta acessar a página do serviço e arrastar um arquivo para cima da tela. Lembre-se que sincronizar significa manter todos os locais idênticos. Portanto, se você apagar um arquivo no Google Drive, ele também apagará o arquivo que está no micro. O Google Drive também pode ser acessado a partir de um celular com Android ou pelo iPhone.

FONTE: Estado de Minas

CURIOSIDADE: MORANGO BRANCO COM SABOR DE ABACAXI



O pineberry, como é conhecido, é uma fruta variante selvagem de um morango convencional (Fragaria chiloensis), natural da América do Sul, que estava quase em extinção até ser encontrado por agricultores holandeses há cerca de sete anos, que resolveram cultivar o produto. Parece um morango comum, porém bem menor e branco, e seu sabor e aroma é dito se assemelhar muito ao do abacaxi. A fruta começou a ser comercializada na Europa recentemente.

FONTE: Funny Wildlife

I CONCURSO DE FOTOGRAFIA PIONEER



Neste ano em que completa 40 anos, a Divisão Pioneer Sementes, do grupo Du Pont do Brasil S.A., lança seu 1º Concurso de Fotografia. Sempre focada em pesquisa genética, tecnologia de manejo e informação agronômica, voltada para as culturas de milho e soja, a Pioneer Sementes lança esse concurso com caráter exclusivamente cultural, não havendo qualquer modalidade de sorteio ou pagamento por parte dos participantes. Para mais informações: CLIQUE AQUI.

HOMENAGEM AO DIAS DAS MÃES

        Neste mês de Maio comemoramos o Dia das Mães. O BRASIL AGRÍCOLA deixa a sua homenagem para todas as mães brasileiras, que lutam dia a dia para criar seus filhos com dignidade e honestidade, na esperança de construir um país melhor. A estas mulheres que perderam noites de sono conosco e nos deram a oportunidade de ser quem somos hoje, só podemos lhe dizer uma palavra que talvez represente algo do que queremos expressar: OBRIGADO!



CONHEÇA A ORIGEM DO DIA DAS MÃES

           O Dia das Mães é, sem dúvidas, uma das datas comemorativas mais universais que existem. Olhando para o passado, vemos indícios de tal comemoração já nas antigas civilizações. Os gregos e romanos dedicavam um dia para homenagear Reia e Cibele, respectivamente, que eram consideradas as mães dos deuses. Outra comemoração semelhante que podemos citar é proveniente do século XVII. Na Inglaterra, havia um domingo em que os filhos entregavam presentes para suas mães durante as missas. Nesses dias, inclusive, os mesmos eram liberados de seus afazeres. Contudo, o Dia das Mães como conhecemos, isto é, desvinculado de aspectos religiosos, se originou em 1904 nos Estados Unidos. A protagonista desta história foi Anna Jarvis, uma jovem americana filha de pastores que havia perdido sua mãe, uma mulher bastante comprometida com causas sociais. Para perpetuar a memória da mulher e para confortar Anna, que havia entrado em um estado de depressão, os amigos da jovem resolveram fazer uma festa. Desta forma, Anna resolveu estender tal comemoração para todas as mães, vivas ou mortas. Em pouco tempo, a história de Anna se alastrou por todo o país. Em 1914, o Congresso americano oficializou o dia 9 de maio como o Dia das Mães. Inúmeros países seguiram, posteriormente, o exemplo dos Estados Unidos. A grande maioria deles, assim como o Brasil, comemora o Dia das Mães no segundo domingo de Maio. 

 FONTE: História de Tudo

O DESAFIO DA EXPANSÃO DO ENSINO SUPERIOR



*Mozart Neves Ramos

*Mozart Neves Ramos é membro do Conselho de Governança do Todos Pela Educação e do Conselho Nacional de Educação, e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Artigo publicado no Correio Braziliense do dia 03/05/2012.

O último Censo da Educação Superior revelou que, de 2009 para 2010, o número de matrículas nos cursos de graduação no ensino superior brasileiro cresceu 7,1%, contabilizando crescimento de 110,1% na última década. Esse crescimento se deu majoritariamente no setor particular do ensino superior. Hoje, 74% das matrículas nesse nível de ensino são de responsabilidade do setor privado, ou seja, 4.736.001 do total de 6.379.299.
            Nesse contexto, há de se destacar o crescimento na modalidade de ensino a distância, como resultado da necessidade de alinhar trabalho e flexibilidade de horário para estudar. Hoje essa modalidade já é responsável por 15% de todas as matrículas nos cursos de graduação. Outro interessante aspecto, extraído desse censo, foi a diversificação da oferta, mediante a expansão das matrículas nos cursos tecnológicos. Em 2001, esses cursos respondiam por 69.797 das matrículas no ensino superior; em 2010, o número pulou para 781.609, ou seja, um crescimento superior a mais de 10 vezes em uma década.
            Apesar do crescimento significativo, o País ainda apresenta percentual relativamente baixo de jovens, na faixa etária de 18 a 24 anos, cursando o ensino superior: apenas 14,6%. Para se ter uma ideia, em alguns países da comunidade europeia esse percentual chega a ser de mais de 50%. Por essa razão, uma das metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que ainda tramita no Congresso Nacional, prevê uma expansão dos atuais 14,6% para 33% até 2021.
            É importante registrar que, com base no PNE 2001-2010, esse último percentual era o que seria esperado já para 2010. Em números absolutos, significa termos, em 2021, 13 milhões de estudantes matriculados em cursos de graduação. Para isso, o País, em termos de investimento no ensino superior, sairá dos atuais R$ 24,8 bilhões para R$ 49,6 bilhões. Isso significa dobrar os atuais investimentos dessa etapa da educação ao longo dos próximos 10 anos.
            Esses investimentos devem não apenas dar conta da recente expansão do ensino superior público, em decorrência da interiorização das universidades federais nos estados e da diversificação com a criação da rede de Institutos Federais Tecnológicos (Ifets), mas também da necessária expansão dos vitoriosos Programa Universidade para Todos (Prouni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), aplicados ao ensino superior privado.
            Esses programas têm permitido que jovens de baixa renda possam realizar seus cursos de graduação e, assim, terem diploma de nível superior. Apesar de sua importância para a democratização do acesso ao ensino superior, eles ainda são tímidos quando comparados com a atual demanda. Por exemplo, o Fies este ano foi responsável por 254 mil novas matrículas, mas isso corresponde, por seu lado, a somente 5% do total de matrículas do ensino superior privado.
            Porém, o maior desafio para a tão necessária expansão do ensino superior não está no financiamento, mas no enfrentamento da qualidade da educação básica. Mesmo nos atuais 14,6% de jovens de 18 a 24 anos no ensino superior, há boa parcela que ingressa no terceiro grau com formação muito aquém da desejável. Isso se traduz principalmente nos cursos que exigem certo nível de aprendizado anterior em disciplinas como matemática, por exemplo.
            As reprovações, e consequentes abandonos, nos ciclos básicos das engenharias e das ciências exatas são elevadíssimos. Os dois primeiros anos têm sido fatais para grande parcela de jovens que ingressam nesses cursos, e logo no momento em que o Brasil mais precisa de profissionais como engenheiros, químicos, físicos e matemáticos. Hoje, o País forma pouco mais de 30 mil engenheiros por ano, quando se estima que a demanda seja de mais de 60 mil. A Coreia do Sul forma 80 mil; a Índia, 300 mil e a China, mais de 400 mil ao ano.
            Para melhor compreender a falta desses profissionais no Brasil, para responder ao atual crescimento econômico, é preciso olhar o percentual de alunos com aprendizagem esperada em matemática no fim do ensino médio. Dos que terminam, sendo que metade dos jovens ficou pelo meio do caminho, 89% não aprenderam o que seria esperado nessa disciplina, especialmente alunos da rede pública de ensino. Isso tem efeito direto na aprendizagem de outras matérias, como física e química.
            O desafio da expansão do ensino superior, especialmente na área de exatas, passa, portanto, necessariamente pela oferta de uma escola de boa qualidade para a juventude. Sem resolver os problemas de aprendizagem já na educação básica, dificilmente teremos uma formação no ensino superior de qualidade.

FONTE: Jornal da Ciência, Edição 4489

MAPA LANÇA SERVIÇO DE INFORMAÇÃO AO CIDADÃO



O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) passa a disponibilizar publicamente dados governamentais a partir da quinta-feira, 12 de abril, em cumprimento a Lei de Acesso à Informação Pública, aprovada em 18 de novembro de 2011 e que entra em vigência a partir de 16 de maio.
Na página oficial do ministério (www.agricultura.gov.br) os internautas poderão acessar a seção de acesso à informação pública por meio de um banner. Além disso, será disponibilizado um espaço exclusivo, chamado Serviço de Informação ao Cidadão – SIC, para receber pessoalmente os cidadãos que têm interesse nas questões relacionadas à transparência pública e que queiram apresentar o pedido de informação em meio físico junto ao SIC. A sala, cedida pela Binagri, terá dois funcionários à disposição.
            O banco de dados já é estruturado com a chamada informação ativa, ou seja, tem conteúdo que responde aos pontos mais comuns levantados sobre os temas. O site vai redirecionar para outros endereços, quando necessário, e terá as informações específicas do Mapa, com as atividades e números da administração interna.
O Brasil já é referência em matéria de divulgação espontânea de informações governamentais. O Portal da Transparência do Governo Federal, criado e administrado pela Controladoria-Geral da União (CGU), já foi várias vezes premiado, nacional e internacionalmente, sendo considerado um dos mais completos e detalhados sites de transparência do mundo.
A Lei de Acesso à Informação regula o acesso amplo a qualquer documento e informação específica buscados pelo cidadão. Por meio dela, o Brasil dá mais um importante passo para a consolidação do seu regime democrático, ampliando a participação popular e fortalecendo os instrumentos de controle da gestão pública. Sua aplicação representa uma mudança de paradigma em matéria de transparência pública, pois estabelece que o acesso é a regra e o sigilo, a exceção.
Para garantir o acesso democrático a informações públicas, a Lei, além de estipular procedimentos, normas e prazos, prevê a criação do SIC em todos os órgãos e entidades do poder público.

FONTE: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)/SENAR

A PESQUISA QUE REVOLUCIONOU A AGRICULTURA



A vida na Terra depende de dois processos básicos, a fotossíntese e a fixação biológica do nitrogênio. Por meio da fotossíntese, plantas e microrganismos convertem o dióxido de carbono atmosférico em moléculas orgânicas, liberando oxigênio como subproduto. A fixação biológica do nitrogênio, elemento químico também essencial na constituição dos seres vivos, é operada por bactérias. Esse foi o campo de pesquisa escolhido pela agrônoma Johanna Döbereiner, nascida na antiga Tchecoslováquia, em 1924, e naturalizada brasileira em 1956. Ela se tornou reconhecida mundialmente como autoridade no assunto - o que lhe valeu indicações para o Prêmio Nobel de Química. Johanna - a cientista brasileira de maior projeção internacional até hoje - nunca acreditou que viria a ser premiada pela Academia Sueca. Sobre o Nobel, uma vez ela disse: "Há muita política nisso e nem é minha ambição".
Também não se importava com dinheiro: "Nunca trabalhei para ficar famosa ou milionária". Ela, que ainda é uma desconhecida para a quase totalidade dos brasileiros, viveu do salário de pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ocupando a mesma casa despojada durante 48 anos, até sua morte, em 2000. No entanto, como resultado prático de sua atuação, o Brasil economizou uma fortuna que pode somar dezenas de bilhões de dólares, ao deixar de consumir milhões de toneladas de adubos nitrogenados nas últimas décadas, principalmente no cultivo da soja. A pesquisadora se orgulhava dessa façanha espetacular, embora valorizasse muito mais o fato de ter ampliado, com muitos colaboradores, um campo de pesquisas fundamental para colocar a agricultura na harmonia possível com a Natureza.
Johanna bateu às portas da História no começo de 1951, quando procurou emprego no antigo Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas (SNPA) - o antecessor da Embrapa. O agrônomo Álvaro Barcelos Fagundes, diretor da instituição, estava autorizado a contratar um especialista estrangeiro, e dar início a investigações que pretendia realizar em microbiologia do solo. A candidata à vaga era estrangeira, mas o diploma de agrônoma que trazia na bagagem não continha muita substância. Fora obtido em universidade alemã, em meio ao caos do pós-guerra. Fagundes despachou a moça com a recomendação de que estudasse mais um pouco e retornasse em 15 dias. O segundo encontro foi uma repetição do primeiro. No terceiro, a candidata desabafou: "Quero trabalhar, mesmo sem ganhar nada". O apelo comoveu o diretor: "Muito bem, pode começar amanhã". Naquele dia o Brasil teve sorte.
Anos mais tarde, Johanna diria, com notável franqueza: "Eu não sabia nada, nunca tinha trabalhado em laboratório, e ele (Fagundes), com uma paciência incrível, me ajudou. Mas foi preciso mais de um ano para eu aprender o bê-á-bá em microbiologia". Além disso, "o dr. Fagundes me ensinou agronomia, de que eu, então, não tinha a menor idéia. Minha tese em microbiologia do solo tinha sido uma revisão da bibliografia, já que na Alemanha daquela época não havia laboratórios". É possível que Johanna tenha sido modesta nessas declarações, pois a monografia de conclusão do curso de agronomia, que apresentou em 1950, intitulava-se "Bactérias na fixação assimbiótica de nitrogênio e a possibilidade de seu aproveitamento na agricultura". Fagundes, com certeza, logo descobriu em Johanna uma pessoa de qualidades excepcionais, e isso deve tê-lo estimulado a ajudá-la. Em 1951, ambos assinaram "Influência da cobertura do solo sobre a flora microbiana" - o primeiro trabalho científico de Johanna, apresentado em reunião da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, no Recife.
Em 1952, Fagundes deixou o posto de diretor do SNPA. Àquela altura, Johanna - que se tornaria praticamente autodidata até 1960 - já fizera a si mesma duas perguntas fundamentais: "Por que as pastagens nativas, abundantes em várias regiões do país, permaneciam sempre verdes, sem que ninguém nunca as adubasse com fertilizantes nitrogenados? Como foi possível, da mesma forma, cultivar a cana-de-açúcar no Brasil sem adubação no decorrer de vários séculos?" Esses fenômenos só poderiam ser explicados pela fixação biológica do nitrogênio. Em 1953 ela publicaria "Azotobacter em solos ácidos". Na abertura do texto, uma recomendação: "O nitrogênio é uma das substâncias nutritivas mais importantes para as plantas. O N pode ser fixado por processos químicos e adicionado ao solo como adubo mineral. Seria mais econômico aproveitar os processos biológicos no solo para cobrir ao menos parcialmente a necessidade de nitrogênio". Na conclusão: "A capacidade de fixação de nitrogênio das tribos de Azotobacter isoladas no presente trabalho, pode ser comparada às das zonas temperadas".
Para publicar o estudo, Johanna teve de discutir antes com Waldemar Mendes, seu chefe imediato, que discordava do conteúdo, em alguns aspectos. Esse foi o primeiro dos vários embates que Johanna enfrentou ao longo da vida para defender seus pontos de vista. Como estava convicta de que trilhava rota segura, manteve o rumo das pesquisas. Novos resultados promissores apareceram. Em 1955, ela relatou a descoberta no Brasil de bactérias da espécie Beijerinckia, capazes de fixar nitrogênio assimbioticamente, em solos ácidos. Essess microrganismos já haviam sido descritos no exterior. A fixação do nitrogênio por bactérias que vivem em simbiose com as leguminosas - em nódulos localizados nas raízes dessas plantas - também era conhecida havia muito tempo. Mas Johanna estava prestes a dar sua maior contribuição à ciência: a descoberta das bactérias fixadoras de nitrogênio em vegetais de outras espécies, principalmente em gramíneas, como o milho e a cana-de-açúcar. Essas bactérias podem ser encontradas em diversos tecidos dessas plantas - nas raízes, nos colmos, nas folhas e nas sementes.
Em 1958, em parceria com Roberto Alvahydo e Alaídes P. Ruschel, ela publicou na Revista Brasileira de Biologia um trabalho pioneiro sobre a fixação do nitrogênio em cana-de-açúcar, realizado por uma nova espécie de bactéria que isolou, a Beijerinckia fluminensis. Em 1959, os dados da pesquisa foram apresentados num congresso sobre solos, sendo recebidos com ceticismo. Ela comentou o episódio asssim: "Contrariando o saber estabelecido, acharam estranho que no Brasil, uma região de clima tropical, houvesse bactérias fixadoras de nitrogênio habitando as raízes das gramíneas. Mas havia uma razão lógica para o fenômeno. Uma bactéria só cresce, em meio de cultura, a uma temperatura mínima de 25oC. Melhor sempre é uma temperatura de 30-35oC. Temperaturas dessa ordem não ocorrem nos solos de regiões temperadas, como Estados Unidos e Europa. Nas regiões tropicais isso seria muito mais provável. (...) Naquela época o pessoal me gozava, acho que realmente ninguém me levava a sério, porque não existia na literatura qualquer descrição da associação entre bactérias fixadoras de nitrogênio e plantas superiores".
Havia mais que isso por trás da rejeição às suas idéias. No contexto da época, a chamada "revolução verde" triunfava em vários continentes, pregando um modelo de agricultura baseado no emprego intensivo de sementes selecionadas, adubos químicos, inseticidas, herbicidas e máquinas, em sistemas de monocultura, explorados em grandes extensões de terra. Ao mesmo tempo, o mundo estava mergulhado na Guerra Fria. Com o objetivo de lucrar e também de mostrar a superioridade econômica do Ocidente sobre a URSS e seus aliados, as corporações norte-americanas participavam da batalha ideológica, afinadas com a política da Casa Branca. As do setor agroindustrial se empenharam na promoção da "revolução verde". No Brasil a economia vinha crescendo e o país se urbanizava com rapidez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A produção agrícola aumentava, mas estava aquém das necessidades do mercado interno.
Por volta de 1960, os gastos com importações de óleos vegetais subiam rapidamente, e não havia perspectivas de mudar essa tendência. Após 1964, o governo militar, com o objetivo de transformar o Brasil em potência, interviria na esfera econômica, procurando também apressar a ocupação do Centro-Oeste. A agropecuária deveria produzir mais, exportar mais e, ao mesmo tempo, ser capaz de absorver insumos e máquinas, tornando viáveis a implantação e a sustentação de novas indústrias. Era iminente a inauguração do ciclo da soja - planta que se encaixava admiravelmente bem no esquema agroindustrial preconizado pelos ideólogos da "revolução verde". As bases haviam sido lançadas em 1963, com a criação da Comissão Nacional da Soja. Johanna foi convidada a integrá-la e ali participou de disputa memorável, saindo vencedora, com o apoio de vários colegas. Essa vitória mais tarde se revelaria de importância capital para o agronegócio.
Era preciso decidir, naquele momento, que rumos deveria tomar a pesquisa para aclimatar a soja às condições de solo e clima brasileiros. Johanna comentou: "Os geneticistas da comissão, todos com formação norte-americana, achavam que trabalhar com bactérias era brincadeira de cientista, que não tinha aplicação alguma. O melhoramento genético da soja nos Estados Unidos foi feito com adubação nitrogenada. Eles selecionaram a soja que respondia melhor à adubação. Mas eu reagi. Nas reuniões, tivemos uma discussão muito forte tentando convencê-los a fazer o melhoramento da soja sem adubo nitrogenado - que era muito caro para o Brasil - e com a aplicação de bactérias, o que conseguimos. A soja, devido à decisão tomada pela comissão, foi selecionada e melhorada para produzir muito sem adubo nitrogenado, aproveitando a simbiose entre as bactérias e as raízes da planta. Com isso, calculando de modo muito conservador, o Brasil está economizando anualmente cerca de US$ 1 bilhão. Se a soja (...) tivesse sido melhorada com adubo, provavelmente o Brasil jamais poderia competir no mercado internacional. (...) O preço baixo da soja brasileira, hoje em dia, é função desse fato".
Só na presente temporada agrícola de 2003/2004, quando a colheita de soja poderá chegar a 60 milhões de toneladas, o país economizou cerca de US$ 1,4 bilhão - o valor de pelo menos 3,6 milhões de toneladas de adubo nitrogenado. Entretanto, mesmo demonstrando de forma cabal a importância do processo biológico de fixação do nitrogênio e vencendo o debate na Comissão da Soja, o trabalho de Johanna ainda receberia críticas. Ela não deu mostras de mágoa e jamais alterou o curso de suas pesquisas. Essa postura combativa teve raízes numa juventude marcada pela Segunda Guerra Mundial. Ao terminar o conflito, a família de Paul Kubelka, pai de Johanna - todos alemães dos Sudetos, região ocidental da Tchecoslováquia - estava dispersa. Expulsa do país, Johanna foi para o território da antiga Alemanha Oriental, onde trabalhou duro no campo para sobreviver e sustentar um casal de avós (talvez por isso ela gostasse de dizer, na maturidade, que se sentia "uma camponesa no laboratório" - era a primeira a chegar e a última a sair).
Logo depois, os remanescentes da família juntaram-se no sul da Alemanha. Lá Johanna fez o curso de agronomia e conheceu o estudante de veterinária Jürgen Döbereiner, com quem se casou em 1950. No final daquele ano, o casal embarcou para o Brasil, convencido pelo pai de Johanna, que emigrara antes. Durante a viagem de navio - foram 16 dias de Marselha ao Rio de Janeiro - Johanna e Jürgen estudaram português. O material didático disponível era precário: não passava de 24 páginas impressas. Desembarcaram com vocabulário escasso, constituído de algumas dúzias de palavras em português. Foi com ele que Johanna se apresentou para assumir o cargo de assistente de pesquisa no Instituto de Ecologia e Experimentação Agrícolas (IEAA) do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas, em 1951.
Orgulho de ter ampliado, ao lado de colaboradores, um campo de pesquisa fundamental para colocar a agricultura na harmonia possível com a natureza
O casal Döbereiner, que alugara moradia no bairro carioca de Campo Grande, viajava de ônibus diariamente até o Centro Nacional de Ensino e Pesquisas Agronômicas (CNEPA), no km 47 da antiga Rio-São Paulo. Jürgen havia sido contratado para trabalhar na cadeira de anatomia patológica, da Escola Nacional de Veterinária, que também funcionava ali. Em março de 1952, Álvaro Fagundes saiu da diretoria do SNPA, mas ainda prestou um grande favor a Johanna: deixou ordem para que lhe entregassem a casa no 19, recém-construída na rua Colina, no bairro residencial do CNEPA, que seria seu endereço definitivo. De lá, apenas dez minutos de caminhada a separavam do laboratório. A proximidade do local de trabalho contribuiu para o desenvolvimento das pesquisas feitas pelo casal. Em 1961, Jürgen recebeu uma bolsa da Fundação Rockefeller para fazer mestrado na Universidade de Wisconsin, em Madison, onde escreveu tese sobre a ação de plantas tóxicas em bovinos - sua especialidade.
Ao mesmo tempo, entre junho de 61 e janeiro de 63, Johanna desenvolveu um estudo sobre a fixação do nitrogênio em leguminosas, também em nível de mestrado. Sobre essa etapa ela diria: "Não foi possível continuar o trabalho com gramíneas nos Estados Unidos. Meu orientador (O. N. Allen) não queria saber de nada disso. Apesar de ter grande renome, ele não me ensinou muita coisa. Sempre digo que com ele só aprendi a fazer rolhas de algodão, muito usadas no laboratório. Eu tinha, naquela época, uma mentalidade bastante forte, e fui realizando o trabalho apesar de tudo. Meu orientador viajava muito. Um dia, após uma ausência de quatro meses, ele voltou e a tese estava pronta. Ele ficou possesso, mas se fechou em seu escritório durante dois dias para lê-la. A tese já estava inclusive datilografada... Vi-o na defesa da tese, onde apenas corrigiu três vírgulas, e mais nada".
Na verdade, Johanna foi apoiada pelo co-orientador. Mas isso não diminui o valor de seu esforço: houve comentários na época de que o trabalho que apresentou valeria por uma tese de doutorado. Ao retornar ao Brasil, Johanna estava mais que preparada para enfrentar o debate sobre os caminhos da soja no país. Desde então seu prestígio só cresceu, atraindo grande número de estudantes para o laboratório, que, em 1992, seria transformado numa unidade independente da Embrapa: o Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia. Por meio dos orientandos, estudantes de pós-graduação, a produção científica de Johanna se multiplicou. Ela fazia questão de dizer: "Não faço nada sozinha - tudo é fruto de muita troca entre nossa equipe".
De fato, sua assinatura aparece em mais de 500 trabalhos científicos. É digna de nota a maneira como se relacionava com os estudantes, que oscilava entre extremos de severidade e atitudes maternais. Preconceitos, nunca. Caso contrário, uma quase-menina, vestida à moda hippie, não teria sido admitida em seu laboratório, nos anos 1970.
Hoje, Fátima Moreira, professora de microbiologia e bioquímica do solo na Universidade Federal de Lavras, MG, conta que Johanna "não era um exemplo de gentileza". Mesmo assim, Fátima aprendeu a gostar daquela mulher enérgica, dedicada a múltiplos afazeres, capaz de assistir novelas de televisão enquanto escrevia ou lia trabalhos científicos. Fátima, como centenas de outros estudantes que passaram pelo laboratório, tinha por Johanna grande respeito e admiração. Sobretudo lealdade: quando estagiava no Senegal, na década de 80, reagiu com indignação às críticas endereçadas a Johanna por um pesquisador francês. Fátima lembra que o francês - uma autoridade na época, e hoje esquecido -, tempos depois, compareceria a uma homenagem feita à doutora Döbereiner...
O estudante Avílio Franco procurou Johanna em 65. Queria trabalhar com feijão - uma cultura importante para o povo brasileiro. Foi recebido com a severidade habitual que a pesquisadora reservava aos iniciantes. Levou para casa cinco trabalhos em inglês, que mal conhecia, e a incumbência de apresentar um plano de pesquisa a partir daqueles textos. Inúmeras consultas a dicionários e várias noites maldormidas depois, ele entregou a encomenda e foi aprovado. Começava ali um relacionamento muito produtivo em termos de trabalho, e uma longa amizade de 35 anos. Avílio conta que Johanna foi sua segunda mãe: "Ela também me considerava como filho e esteve presente em todos os passos de minha carreira. Inclusive me persuadiu a não trocar a pesquisa pela extensão rural, que na época garantia bom salário e estabilidade no emprego. Entre 68 e 71 fiquei no laboratório em caráter mais ou menos precário, dependendo de verbas que poderiam ou não sair, até ser contratado pelo Ministério da Agricultura".
E foi a dedicação e o carinho dos colaboradores mais próximos que permitiram a Johanna freqüentar o laboratório até quase seu último dia de vida. Ao falecer, em 5 de outubro de 2000, vítima de enfermidade neurológica, Johanna acumulava grande número de distinções, prêmios e homenagens. Uma delas, informal, foi prestada por Norman Borlaug, prêmio Nobel da Paz, chamado de "pai da 'revolução verde'", que, em visita a Johanna, lhe disse: "O que você faz aqui é muito melhor que aquilo que fiz".
Johanna recebeu, ainda, o título de doutora Honoris Causa concedido pela Universidade da Flórida (1975) e pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1982); em 1978 tornou-se membro da Academia de Ciências do Vaticano, nomeada pelo Papa Paulo VI, e foi condecorada várias vezes pelo governo brasileiro. Em 2001, cientistas mexicanos e alemães deram seu nome a duas novas espécies de bactérias fixadoras de nitrogênio, a Cluconacetobacter johannae sp. e Azospirillum doebereinerae sp. Finalmente, para preservar-lhe a memória e também dar apoio à continuidade de seu trabalho, Jürgen Döbereiner e um grupo de pesquisadores fundaram a Sociedade de Pesquisa Johanna Döbereiner, em 2002.

Fonte: Scientific American Brazil

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